Política

Dinheiro utilizado nem sempre se traduz em votos

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar de muitos políticos associarem o valor gasto ao número de votos recebidos, isso não pode ser considerado uma ciência exata. Dados da Organização Não Governamental (ONG) Transparência Brasil revelam que os candidatos a deputado federal que mais gastaram em 2002, não foram necessariamente os mais votados naquela eleição.

Se falarmos apenas sobre os deputados federais eleitos por São Paulo, veremos que há muitos disparates na relação custo-benefício da campanha. Vale lembrar que falamos em termos de números oficiais, sem eventuais contribuições não contabilizadas nas campanhas.

O deputado mais bem votado em 2002 foi Enéas Carneiro (Prona), com 1.573.642 votos. O valor declarado de despesas de campanha foi de R$ 65,8 mil. Ou seja, para cada voto conquistado, Enéas gastou míseros R$ 0,04. Por outro lado, o deputado que mais gastou na campanha foi Delfim Neto, hoje no PMDB. Ele investiu R$ 941.486,00 e teve 131.999 votos, o que representa um gasto de R$ 7,16 por voto.

Falando em termos proporcionais entre gastos e votos conquistados, o deputado eleito pelo Prona, Ildeu Alves de Araújo, foi um dos que mais gastaram na campanha de 2002. A Transparência Brasil contabilizou um investimento de R$ 14.780,00 de Araújo e ele obteve 382 votos, o que representa um gasto de R$ 38,69 por voto conquistado.

Deputados estaduais

Os números da ONG corroboram o que disse o especialista em marketing político Marco Iten, sobre o volume de gastos dos deputados estaduais ser semelhante e até maior que o dos deputados federais. Mantendo o exemplo do mais votado, a deputada Havanir Nimitz, hoje no PSDB, teve 682.219 votos e declarou um gasto de R$ 74 mil (mais que Enéas Carneiro). Fazendo a conta, Havanir gastou R$ 0,10 por voto conquistado.

Os exemplos também servem para o candidato a estadual que mais gastou, neste caso, Edmir Chedid (PFL), que investiu R$ 590.251,00 na campanha e obteve 88.021 votos, ou seja, cada voto de Chedid custou R$ 6,70. Somente para citar exemplos de deputados eleitos. Se a contabilidade for feita sobre os candidatos que não se elegeram, poderemos verificar que nem sempre o investimento compensa. Para saber mais sobre os gastos na campanha eleitoral de 2002 e de 2004, acesse a página da Transparência Brasil na Internet. O endereço é www.transparen ciabrasil.org.br.

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