Polícia

Após rebelião, CDP segue destruído

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Na primeira onde de ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado de São Paulo, em maio, uma rebelião no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru destruiu completamente o pavilhão oito da unidade. Passados 70 dias, as obras de reforma nem começaram. E pior, cerca 150 homens que estavam encarcerados no pavilhão tiveram de ser distribuídos entre os outros setores do CDP, o que agravou a superlotação.

Construído para abrigar 768 homens, uma média de 96 em cada pavilhão, atualmente a unidade conta com 1.200 detentos, 171 em cada setor. Segundo a Secretaria de Estado das Administrações Penitenciárias (SAP), o CDP de Bauru é uma das 20 unidades que foram danificados durante a megarrebelião do mês de maio. A SAP informou que as obras emergenciais nestas 20 unidades estão sendo iniciadas em todo o Estado e possuem prazo médio de 180 dias para conclusão.

O custo total das obras de recuperação dos presídios em São Paulo é estimado em R$ 67 milhões. O Sindicato dos Trabalhadores do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindcop) não está muito confiante no prazo informado pela SAP para reforma. “Você vê a situação que está em Araraquara e lá não foi feito quase nada ainda”, pondera Reinaldo Duarte Soriano, vice-presidente da entidade, se referindo à completa destruição das celas no presídio da cidade vizinha.

De acordo com o dirigente, a única medida adotada no CDP de Bauru após a rebelião foi a retirada dos entulhos. Um agente penitenciário do CDP, que preferiu não ter o nome divulgado, afirma que nem mesmo com a reforma a situação do presídio melhoraria. “Eles vão reformar o pavilhão oito e deixar todos os outros remendados. E outra: eles vão reconstruir, mas não vão instalar os dispositivos de segurança, como fechaduras, alarmes e câmeras. Se tiver uma fuga lá, não dá para avisar ninguém”, observa.

Outro problema ressaltado pelo agente é a falta de funcionários. “Nós já estamos trabalhando com poucas pessoas. E dos mil agentes chamados pelo Estado no último concurso, o Governo já anunciou que não vai vir ninguém para Bauru”, lamenta.

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Teleconferência

Em agosto de 2005, o então governador Geraldo Alckmin apresentou um sistema de teleconferência que substituiria boa parte dos deslocamentos de presos para audiências judiciárias. Com isso, reduziria-se o risco de resgate de detentos no trajeto entre o presídio e o fórum e, ao mesmo tempo, liberaria agentes e policiais que atualmente fazem a escolta nos deslocamentos para outras atividades.

O sistema já existe em cinco Centros de Detenção Provisória (CDPs) da região metropolitana de São Paulo e no Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes. De acordo com a Secretaria de Estado das Administrações Penitenciárias (SAP), o projeto não foi estendido para mais nenhuma unidade prisional.

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