São Paulo - Mauro Otávio Nassif, um dos advogados que defendeu Suzane von Richthofen, 22 anos, disse ontem que deverá fazer um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJ) na quarta-feira solicitando a absolvição dela com relação à morte de seu pai.
“As coisas mudaram. Examinando de novo os quesitos. Entendo que a Suzane foi absolvida da morte do pai. A maioria dos jurados entendeu que ela era influenciada psiquicamente pelo namorado. Eles queriam absolver a Suzane”, disse.
A equipe de advogados que defende a estudante vai se reunir amanhã para reler todos os quesitos e decidir qual será a estratégia do pedido. “Nós consideramos que a resposta dos jurados é pela absolvição dela. Se o tribunal entender da mesma forma, automaticamente conseguirei reduzir a pena pela metade”, disse Nassif.
A aposentada Iolanda de Oliveira Toledo, 57 anos, uma das juradas do caso, porém, não entende dessa forma. “A condenação de Suzane foi uma resposta à sociedade. A gente estava lá para assumir e fazer valer o que o Tribunal do Júri e o Estado precisam fazer para que não ocorram crimes deste tipo.”
Primeira visita
Depois de ser levada de volta para o Centro de Ressocialização Feminino de Rio Claro (175 km de SP) e dormir por quase 12 horas, Suzane recebeu ontem a visita de seu ex-tutor, Denivaldo Barni. “Ela comeu pizza, recebeu uma mensagem do (advogado) Mauro (Nassif), chorou várias vezes e reclamou de dores no pulso por ter ficado tanto tempo algemada”, disse.
Na madrugada de sábado, a estudante e os irmãos Christian e Daniel Cravinhos foram condenados pela morte dos pais dela, em outubro de 2002. Por pouco a jovem não foi absolvida da morte do pai.
Na mesma noite, foi levada de volta à cadeia. “Ela chegou em Rio Claro por volta das 4h30 da manhã de anteontem e dormiu até às 16h. Comeu alguma coisa leve e voltou a dormir. Estava exausta. Ela também recebeu o conforto das colegas de cela, que disseram ter feito muita oração por ela durante o julgamento.”
Barni foi o único a visitá-la e passou o dia inteiro com a jovem. Afirmou que Suzane chorou várias vezes. “A situação dela hoje é outra. Ela tem uma sentença. Antes, tinha a expectativa de ser absolvida e de não precisar voltar para a cadeia. Durante o dia nós conversamos sobre a infância dela e fizemos uma retrospectiva de tudo o que aconteceu nesse período. Ela disse que confiou e continua confiando nos seus advogados”, afirmou Barni.