Brasília - A oposição acusou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “baixar o nível" da campanha eleitoral devido à declaração de que seus adversários deveriam “lavar a boca” antes de citar seu nome.
Apesar da crítica, pefelistas voltaram a explorar o suposto hábito do presidente de consumir bebidas alcóolicas. "Quem tem que lavar a boca é quem bebe”, afirmou o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que também acusou o governo Lula de ser o “mais corrupto de todos”.
Em seu primeiro comício de campanha à reeleição, o presidente Lula disse anteontem em Recife (PE) que não tem reagido aos ataques que recebe porque não responde a “jogo rasteiro”. “Até porque alguns que citam o meu nome deveriam lavar a boca”, afirmou o petista.
O senador José Jorge (PFL-PE), candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que é dever da oposição apontar supostos desvios éticos do governo Lula durante o debate eleitoral, o que irritaria o presidente.”Ele está baixando o nível da campanha. Como presidente ele deveria saber que, em uma democracia, cabe à oposição criticá-lo”, afirmou José Jorge. “E nós lavamos a boca todo dia ao escovar os dentes”, ironizou o pefelista.
No mês passado, José Jorge insuflou a platéia da convenção do PFL no Distrito Federal ao dizer que o presidente “bebe muito, como dizem por aí”. Já o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), candidato a vice-prefeito de São Paulo na chapa do tucano José Serra, afirmou que Lula não tem condições de dar “lição de moral” em ninguém.
“Ele tem muita coisa a explicar ao País antes de dar lição de moral nos outros, como a compra de deputados e partidos, além de propinas que alguns receberam por obras e serviços do governo federal”, disse Goldman.Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o presidente “jogou no lixo” a liturgia do cargo.