São Paulo - A "Folha de S.Paulo" iniciou ontem a série de sabatinas que realizará com candidatos ao Senado, ao governo do Estado e à Presidência da República. Ontem, foi entrevistado o senador Eduardo Suplicy, do PT-SP. Hoje, o entrevistado será o empresário Guilherme Afif Domingos, que concorre ao Senado pelo PFL-SP, em coligação com o PSDB. Na quarta-feira, a sabatinada será Alda Marcantonio, que concorre uma vaga ao Senado pelo PMDB-SP, na chapa de Orestes Quércia.
O senador Suplicy, candidato à reeleição, cobrou uma posição mais firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Congresso Nacional. “Ele precisa dizer, com clareza, aos membros do Congresso, que o voto de cada um, deputado e senador, considere o interesse da população e não os recursos de emendas parlamentares.”
Segundo o senador, Lula vai conseguir maior apoio da opinião pública se adotar uma postura mais firme. Suplicy ainda defendeu um diálogo maior entre o Executivo e o Legislativo. Segundo ele, Lula precisa conversar com os parlamentares e os ministros freqüentarem mais o Congresso. Senador desde 1991, Suplicy ainda defendeu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impugne as candidaturas de parlamentares envolvidos com a máfia dos sanguessugas. “Eles (os parlamentares) têm o direito de se defender, mas considerando que feriram o decoro parlamentar, o TSE deve impugnar as candidaturas.”
Segurança
Suplicy salientou que “todos são responsáveis pela crise na segurança pública”. Segundo ele, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), tem o direito de não querer a ajuda do governo federal para combater as ações do crime organizado em São Paulo. “Mas o governador tem que mostrar que o problema será solucionado.”
“Eu votei favorável ao endurecimento das penas para presos, mas tenho dúvidas que isso vá adiantar. É mais importante o empenho de fazer uma nação justa, com oportunidades na educação e o apoio às formas cooperativas de produção.”
“Mensalão”
Suplicy evitou falar sobre uma possível omissão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o esquema do "mensalão". Questionado sobre o assunto, Suplicy disse apenas que “precisamos nos empenhar para superar os erros”. “Acho que, em alguns momentos, houve pressão dos parlamentares para obterem vantagens, já admitida no âmbito do governo”, reiterou Suplicy.
Eleições
O senador comentou que seria “interessante” um segundo turno nas eleições de outubro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a candidata do PSOL à sucessão presidencial, senadora Heloísa Helena (AL). “Eu voto no presidente Lula e espero que ele vença no primeiro turno, mas seria oportuno um segundo turno entre ele e Heloísa Helena. Ela teve origem no PT e o debate seria interessante”, disse Suplicy.
O senador afirmou que votaria em Heloísa Helena num eventual segundo turno entre ela e o candidato tucano, Geraldo Alckmin. “Tenho por Heloísa Helena carinho, respeito e amizade. Votei para que ela não fosse expulsa do PT. Eu preferia que ela ainda estivesse no partido. É louvável o procedimento ético da senadora.”
Suplicy disse que foi convidado para ingressar no PSOL, mas que não deixou o PT porque acredita e espera sempre acreditar nos programas do partido. “Não posso deixar minha família. O PT tem procedimentos que nenhum outro partido tem. Quero permanecer no partido e ajudá-lo a reparar os erros que cometeu.”
Encerramento
A pedido da platéia, Suplicy (PT-SP) encerrou a sabatina com uma música. “Não tenho problema em cantar, mas só faço a pedidos.” Suplicy cantou a música “Blowin’in the Wind”, de Bob Dylan, e foi muito aplaudido pela platéia. Depois da apresentação musical, o senador ainda autografou livros de sua autoria para o público.
O último assunto do senador durante a entrevista foi o voto nulo. Respondendo à pergunta do público, Suplicy afirmou que “votar e não anular o voto é mais produtivo para os jovens”. “Precisamos aperfeiçoar o processo democrático.”
O senador recomendou aos jovens que escolham na hora de votar o candidato que apresente grandes idéias e programas. “Antes disso, temos que estimular candidaturas novas para evitar descontentamentos.”