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CPI dos Sanguessugas possui provas contra 80% dos suspeitos

Por Adriano Ceolin, Leonardo Souza, Ranier Bragon e Fábio Zanini | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A CPI dos Sanguessugas anunciou ontem já ter reunido provas contra 80% dos congressistas e ex-congressistas investigados por suposto envolvimento na fraude. O total de citados chegaria a 112, mas a comissão estava reunida na noite de ontem com o objetivo de divulgar um número oficial. “Há provas contra cerca de 80% dos parlamentares envolvidos. Tirando aqueles que receberam propina em dinheiro vivo, contra todos os outros há provas”, afirmou o vice-presidente da CPI, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).

Ele almoçou ontem com os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Carlos Sampaio (PSDB-SP), também integrantes da comissão, ocasião em que ficou definido que o grupo irá defender a apresentação do primeiro relatório da comissão já na próxima semana. “Já temos todos os elementos para apresentar o relatório relativo aos parlamentares em cinco dias”, afirmou Gabeira.

Os três vão tentar convencer hoje o relator, senador Amir Lando (PMDB-RO), e o presidente da comissão, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), da antecipação. Lando demonstrava ontem que pretende apresentar seu relatório só em meados de agosto. Além disso, ele afirmou que o envolvimento do Executivo na fraude ficará para uma fase posterior, provavelmente apenas após as eleições.

A CPI dos Sanguessugas foi criada na esteira da operação da Polícia Federal (PF) que estourou o esquema no início de maio. De acordo com a investigação da PF e do Ministério Público, uma quadrilha chefiada pela empresa Planam fraudava licitações como forma de vender ambulâncias superfaturadas a prefeituras.

O dinheiro para isso viria de emendas que deputados federais e senadores faziam ao Orçamento da União. O Supremo Tribunal Federal (STF) já autorizou a abertura de investigação contra 56 deputados e um senador. O depoimento do sócio da Planam Luiz Antônio Trevisan Vedoin, apontado pela PF como o chefe da quadrilha, envolve o nome de outras dezenas de congressistas e ex-congressistas.

Em seu depoimento, Vedoin disse que ele e seu pai foram no começo de 2003 ao então ministro da Saúde, Humberto Costa, para tentar liberar recursos do Orçamento, no valor de R$ 8 milhões, supostamente referentes a vendas de ambulâncias feitas pela Planam a prefeituras.

O dinheiro não foi liberado porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao assumir o governo, congelou investimentos. Luiz Antônio Vedoin revelou que esperava que o candidato tucano à Presidência em 2002, o também ex-ministro da Saúde José Serra, saísse vitorioso. Assim, ele acreditava que não teria problemas para receber o dinheiro, como sempre teria ocorrido no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), tudo segundo seu depoimento.

À Justiça Federal, Luiz Antônio Vedoin disse que, entre julho e setembro de 2002, havia entregado cem ambulâncias a diversas prefeituras, antes do efetivo repasse de recursos da União aos municípios.

Início

O empresário contou como teria sido seu primeiro contato com os deputados suspeitos de participar do esquema. A data exata não fica clara, mas ele se refere aos anos de 1998 e 1999, quando teria aberto uma das empresas fantasmas que participavam das licitações para a venda das ambulâncias. Segundo ele, o primeiro contato foi com o deputado Lino Rossi (PP-SP), na época do PSDB. Disse que Rossi o teria apresentado a “vizinhos” do quinto andar do anexo 4 da Câmara, como os deputados Renildo Leal (hoje ex-deputado) e Nilton Capixaba (PTB-RO). Os três estão na relação congressistas e ex-parlamentares investigados pelo Ministério Público Federal e pela CPI, com autorização do Supremo.

Rossi, segundo Vedoin, chegou a receber um automóvel como propina. Procurado, o deputado não respondeu à reportagem. Outros casos Reprodução de trechos de anotações feitas por integrantes da CPI com base na leitura do depoimento de Vedoin à Justiça de Mato Grosso mostra detalhes dos supostos envolvimentos dos congressistas.

Sobre Benedito Dias (PP-AC), por exemplo: “É um dos principais envolvidos. Mencionado copiosamente nos depoimentos, gravações etc. Suas emendas eram destinadas ao Hospital do Câncer”. Sobre Cabo Júlio (PMDB-MG): “Mencionado em vários parágrafos do depoimento de Luiz Antônio Vedoin, com indicação de pagamentos.” A reportagem não conseguiu contatar os deputados.

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