A cidade de Bauru, “Coração de São Paulo”, poderia, hoje, a nosso ver, ser uma das cidades mais bonitas do país - e realmente, não é - Que saudades das administrações passadas: Nicolinha, Nuno de Assis, Franciscato (que prefeitão!) até o Sbeghen, por que não?! Se os homens que aqui chegaram e prosperaram não a encarassem como um simples acampamento provisório, mas assumissem aqui o seu chão, protegendo-a dos males do desenvolvimento...
Entretanto, a cidade tornou-se artificial, fria, dura, ficou perdida sua história que, no fundo, é a história de todo o trabalho humano e social aí elaborado. Se observarmos a história, verificamos que dos seus anos de existência, os últimos 30 marcam o período do apogeu e crise existencial... Ele corresponde ao início e desenvolvimento do maciço processo de industrialização brasileira, cujo centro foi naturalmente Bauru. Se voltarmos às origens, nos lembraremos que surgimos de um núcleo - Rua Araújo Leite, Batista de Carvalho e 1º de Agosto - cercados pelos vales dos rios Bauru, Córrego das Flores, Tietê e Batalha, de onde se podia avistar o horizonte. Bauru, Coração de S. Paulo, cresceu em função do entroncamento rodo-ferroviário-marítimo.
Somente no século passado, com a criação da Faculdade de Direito (ITE), a cidade, que era o ponto de passagem para o escoamento da produção agrícola - café - algodão - de toda nossa região, para o litoral, começa a ter vida cultural e comercial própria, com a instalação das famílias das cidades da região. Surgem os bairros das classes trabalhadoras - ferroviários -: Vila Seabra, Curuçá, Vila Falcão, Bela Vista e Vila Monlevade e Independência. Depois os bairros “elegantes” de Vila América - Estoril (1, 2, 3, 4 e 5), Vila Antártica e Centro cruzava com os trilhos das companhias de Estradas de Ferro - Paulista, Sorocabana e Noroeste do Brasil -, Bauru ainda conserva sua natureza primitiva, seus rios são limpos, têm função de lazer e transporte, seus bosques são verdes e fechados. Bauru - Capital da Terra Branca - Cidade sem Limites - e agora - Bauru Coração de São Paulo; sua topografia intacta e magnífica de ricos espaços, com variadas conformações. Entretanto, implanta-se vertiginosamente o nosso Distrito Industrial - atualmente parado - a estrutura urbana não consegue acompanhar o índice: a cidade tem um crescimento demográfico excelente. Cresce a população e a necessidade de áreas para habitação, para atividades profissionais, os sistemas de transporte devem ser efetivamente coletivos, necessitam se equipamentos e infra-estrutura dos serviços urbanos.
As pressões são grandes - o bauruense trabalha, faz, depois pensa. A cidade é retalhada, mutilada, deformada, os novos loteamentos nada enfeitam, as árvores contam-se nos dedos, até que chegamos à situação de hoje, E agora? Nossos técnicos, que poderiam contribuir, não chegaram a tempo - os primeiros arquitetos bauruenses formaram-se juntos com todos esses problemas. A eles não foi confiada nenhuma resolução, apenas alguns projetos de execução isolados - uma casa boa e bonita, um clube ou um prédio. Da falta de planejamento (tão reclamado) resulta uma cidade que não tem horizontes, somente barreiras. Estamos cercados e precisamos crescer. Como? Onde? Chega-se à questão...
É preciso haver arquitetura e urbanismo arrojado. E a nova geração de arquitetos está capacitada para assumir tal papel. Para finalizar, transcrevo o finalzinho de um editorial de Luiz Antônio Fleury Filho, publicado no “JC” de 04/02/2006 - “Segurança para o desenvolvimento”. Com segurança de qualidade nas ruas Bauru poderá manter sua vocação de cidade de vanguarda, com suas universidades de excelência reconhecida, seu pólo industrial diversificado, agronegócio de ponta e comércio robusto. E continuar sendo a locomotiva do desenvolvimento econômico e social da região central de São Paulo.
João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa