Ao terminar sua vida útil, um motor pode ser retificado e voltar ao trabalho por outro longo período. Algumas pessoas preferem trocar o motor por outro, novo ou usado, conforme suas posses. Em qualquer uma destas situações, não há problema técnico algum desde que se troque um pelo outro, do mesmo modelo. O que requer mais atenção é quando se faz uma mudança mais drástica trocando, por exemplo, um motor a gasolina por um diesel, ou um motor pequeno por um muito mais potente e pesado.
O carro é projetado como um conjunto e tudo nele deve funcionar harmonicamente. Definidas as características mercadológicas de um novo modelo, todo um processo de desenvolvimento técnico parte daí. Se for um sedan familiar, sua motorização será compatível com a proposta, com potência adequada para viagens com carga completa e velocidades de cruzeiro coerentes com as rodovias, além de um consumo de combustível contido. Se fizermos a troca de um motor de um carro destes, em tese, por um modelo muito mais potente, teremos uma alteração sensível na proposta do veículo.
O primeiro problema será com o câmbio, que poderá não suportar o aumento de torque no novo motor e danificar suas engrenagens e sincronizadores. O mesmo poderá acontecer com o diferencial. O conjunto motor e câmbio é desenvolvido um para o outro e com total compatibilidade. Entre eles está a embreagem, que os interliga e tem a função de transmitir o torque de um para o outro. Serve de fusível, como já explicamos em artigos anteriores, e se o torque do motor for excessivo, acima de seu dimensionamento, ela irá patinar, não transmitindo o movimento e se queimando.
Ao se trocar um motor pequeno por um maior e mais pesado, caso típico da substituição de motores Opala quatro cilindros por outro de seis cilindros, além de ter que adaptar os novos coxins de fixação, ainda precisarão ser substituídos radiador, mangueiras e outros componentes diretamente ligados ao motor, como parte do sistema de escape.
Mas o efeito de aumento de peso também afetará a suspensão dianteira (em caso de motores dianteiros), tendo esta de ser recalibrada com novas molas e amortecedores. A nova distribuição de peso afetará significativamente a estabilidade do veículo e deverá ser compensada com novo grau de alinhamento.
No caso de troca de motores a gasolina ou álcool por motores diesel já fica mais complicado, pois estes, além de serem geralmente bem mais pesados, vibram mais, requerendo coxins adequados. Os chicotes elétricos deverão ser refeitos, pois todo o circuito se altera. Serão necessários um novo alternador e uma bateria com maior amperagem para partida.
Sabemos que maior potência no motor requer mais freio para parar o carro. Portanto, todo o sistema de freio deverá ser reavaliado. É recomendada a colocação de freios a disco nas quatro rodas, instalação de válvula equalizadora no circuito traseiro e acerto de carga de frenagem.
Tudo isso porque o novo motor alterou o equilíbrio original do conjunto e este precisa ser restabelecido. Não há problema nenhum em alterar-se o motor, desde que seja com critério técnico e bom respaldo financeiro, sem medo de ser feliz! Lembrando que todas as alterações devem ser legalizadas em órgãos competentes, para poder rodar tranqüilo, sem ser multado nem correr riscos.
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CORREIO TÉCNICO
Acabo de comprar um carro zero. Preciso amaciar o motor? Como devo fazer? Tenho ouvido muitos comentários diferentes sobre a melhor maneira de amaciar um motor novo.
Paulo José, Bauru
Antigamente os materiais usados nos motores eram diferentes e sua usinagem também era diferente. Sendo assim, precisavam de folgas específicas e, por isso, recomendava-se naquela época que não se atingisse altas rotações por períodos elevados durante certa quilometragem. Isso era o período de amaciamento. Hoje em dia isto é totalmente dispensável. Os materiais são outros, tem uma estabilidade térmica muito melhor e a usinagem bem mais sofisticada, portanto os motores já vem de fábrica com as folgas pré-ajustadas. Recomenda-se não passar dos 3.000 rpm nos primeiros 200 quilômetros, nem manter rotação constante por muito tempo neste período, só para “desamarrar” o motor. Depois disso, vida normal.
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*Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.