A Prefeitura de Bauru está mapeando os indicadores de violência noturna da Polícia Militar para confrontar os dados com o plano de iluminação pública que já está sendo implementado. O Executivo quer verificar em que locais o programa de melhoria da iluminação terá de ser reforçado em razão do maior potencial de ocorrências por precariedade no oferecimento de iluminação.
Conforme o chefe de Gabinete da Prefeitura, Paulo Sérgio Canalli, o mapeamento do nível de ocorrências por região administrativa, solicitado junto à Polícia Militar, vai servir de ferramenta para a implementação das demais etapas do programa de iluminação. “É visível que existem locais onde a falta de iluminação ou a sua condição precária podem contribuir para aumento no potencial de ocorrências. A iluminação pública é um importante indicador de segurança e nós estamos trabalhando com esses dados para obtermos informações que vão certamente apontar carências”, cita Canalli.
O chefe de Gabinete explica, porém, que os índices de violência não são os únicos instrumentos a serem utilizados na definição das demais etapas do programa. “É um indicador que, confrontado com outras informações que a administração dispõe, vai ajudar e muito na definição das ações. O programa de recuperação e melhoria da iluminação pública já foi iniciado e ele conta com informações retiradas das mais de 70 reuniões da revisão do Plano Diretor, do acompanhamento das próprias secretarias e dos requerimentos formulados pelos vereadores que, naturalmente, são uma das portas de recebimento desse tipo de reivindicação pela representação popular”, acrescenta.
No mapeamento recebido da Polícia Militar, a administração conta com o número de ocorrências registradas no período noturno, das 18 horas às seis horas da manhã, nos últimos um ano e meio, ou 2005 e os primeiros meses deste ano. O major Wellington Luiz Dorian Venezian explica que a PM tomou o cuidado de excluir do levantamento as ocorrências que estão fora do rol dos casos de violência que podem ter sido gerado por influência da falta de iluminação ou sua precariedade.
“Não significa neste levantamento que todas as ocorrências foram por problemas com a iluminação pública. Briga de marido e mulher por exemplo acontece muito à noite, mas não está neste estudo porque é óbvio que esse tipo de problema não tem relação com iluminação. Já os furtos de veículos ou mesmo um toca-fitas pode ter sua ação potencializada por deficiência na iluminação em determinado local”, esclarece.
Na avaliação do major Wellington, o mapeamento é um instrumento para que a prefeitura defina sua política de melhoria da iluminação nas ruas e praças. “É um importante subsídio, para que a prefeitura confronte com sua planta de iluminação e seu plano de ação. É um parâmetro de julgamento, entre tantos outros, com dados estatísticos”, acrescenta.
A prefeitura, por exemplo, decidiu tomar ações pontuais para reduzir as carências com iluminação pública, implementando a substituição de lâmpadas de mercúrio por de vapor de sódio ao longo das principais avenidas. “No eixo que vai das quadras seis a 13 da Rodrigues Alves já mudamos as lâmpadas, que de vapor de sódio iluminam muito mais e gastam menos que as de mercúrio. As tranversais da avenida também vão receber substituição”, conta Canalli.
O plano já assinado pelo prefeito Tuga Angerami (sem partido) prevê a troca de 10.460 lâmpadas, a colocação de 2.050 em postes que não contam com o equipamento e a extensão de postes em locais que ainda estão na escuridão. “Nossa expectativa é de até meados de outubro trocar 3.500 pontos entre novos e substituições. Bauru tem 32 mil pontos de iluminação”, aponta a administração.
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Densidade x ocorrências
O mapeamento de ocorrências noturnas mostra, por relação de conseqüência, que os maiores índices estão nos locais de maior fluxo de pessoas, como a região central, além das principais avenidas. Desta forma, argumenta Canalli, não é possível apontar apenas a precariedade de iluminação como fator responsável pela distribuição das ocorrências e, por esta razão, também é arriscado vincular esses locais como de maior potencial de violência.
O major Wellington Luiz também chama a atenção para essa avaliação. “Onde tem mais pessoas a tendência é de que o número de ocorrências seja maior, até pela movimentação de mercadorias, circulação. Mas isso não significa que este ponto ou região seja mais violento só por causa da iluminação ou outro fator isolado”, reforça.
Desta forma, o apontamento da região central como de maior número de ocorrências noturnas (1.624) pela PM não surpreende. O maior fluxo de pessoas está no quadrilátero central e, além disso, lembra a administração, o maior volume de transbordo do transporte coletivo acontece pela avenida Rodrigues Alves, inclusive após às 18 horas, objeto do estudo.
Em seguida, o mapeamento traz o setor coberto pelas regiões do Jardim Aeroporto, Altos da Cidade, Estoril e Jardim América, com 1.012 registros nos últimos 18 meses. Mas há uma concentração de maiores índices em pontos das avenidas Nações Unidas e Getúlio Vargas, que também compreendem esta região conforme a divisão por bacias hidrográficas.
Tanto a relação entre violência e localização não guarda resultado direto, com exceção das avenidas, que na região do Parque Jaraguá, Novas Esperança e Fortunato Rocha Lima os indicadores são a metade dos locais anteriores, com 529 ocorrências. Outra informação interessante é que o setor que inclui bairros em que os moradores ainda enfrentam falta de iluminação ou deficiência, como o Jardim Manchester e Tangarás, o número de registros é pequeno, de 90 casos.
Assim, o estudo aponta o aumento das ocorrências noturnas a partir, sobretudo, da maior concentração e fluxo de pessoas em determinados horários e, em alguns desses pontos, a iluminação é foco de problema para os moradores.