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Mais de mil brasileiros já fugiram do Líbano

Folhapress
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São Paulo - O terceiro vôo da Força Aérea Brasileira (FAB) com 77 brasileiros que estavam no Líbano chegou às 6h40 de ontem ao aeroporto de Guararapes, no Recife. O avião deixou o aeroporto de Adana, na Turquia, anteontem, fez escala em Argel, na Argélia e, já no Brasil, passou por revisão técnica e reabastecimento antes de seguir para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, onde chegou por volta das 11h30. A viagem durou 14 horas.

O número de brasileiros que já deixaram o Líbano fugindo dos ataques israelenses já chega a 1.095 pessoas, segundo balanço divulgado ontem pelo Itamaraty. Desse total, 850 foram levados para Adana, na Turquia, ou para Damasco, na Síria, com ajuda do governo brasileiro, que vem organizando comboios de ônibus para o resgate de brasileiros no país.

O restante deixou o país por meios próprios. Um segundo comboio, com dez ônibus, está previsto para deixar a região do vale do Bekaa na manhã de hoje em direção a Damasco. O ponto de encontro para o embarque no comboio é a Universidade de Omar El Moghtar, em El Khiara. Para tentar mobilizar as pessoas que pretendem deixar o Líbano para o embarque, o governo brasileiro pediu o apoio de lideranças libanesas na região e também da comunidade que vive no Brasil, para que entrem em contato com os brasileiros na região.

Isso porque, além dos problemas de logística para organizar os comboios de ônibus para que os brasileiros possam ser resgatados em segurança, o governo vem encontrando dificuldade em dimensionar as operações, já que muitas das pessoas que se disseram interessadas em deixar o Líbano não compareceram para o embarque.

O resgate ocorrido anteontem, por exemplo, estava dimensionado para retirar até 500 brasileiros da região do vale do Bekaa, onde ainda há a maior concentração de brasileiros. Mas apenas 305 pessoas compareceram para o embarque na hora combinada.

Ao comentar essa dificuldade em dimensionar o resgate, o coordenador do grupo de trabalho de apoio aos brasileiros no Líbano, embaixador Everton Vieira Vargas, afirmou ontem que “é difícil entrar na psicologia de cada pessoa”, pois, ao mesmo tempo em que eles desejam sair, depois, por razões particulares, familiares, decidem ficar. “A presença das pessoas (nos comboios) é voluntária. O que se faz é uma ampla divulgação”, disse ele, ao informar que o resgate de hoje está sendo amplamente divulgado em mesquitas, igrejas e em rádios locais.

Mais vôos

Também hoje, 200 brasileiros serão levados de Beirute para Adana em quatro ônibus. Eles se juntarão a outros 164 brasileiros que aguardam vôos da FAB para voltar ao Brasil. Um novo comboio de Beirute para Adana poderá ser organizado, pois o governo foi informado de que brasileiros - um número ainda indefinido- que estavam no sul do Líbano também se dirigiam para Beirute em busca de apoio do consulado para deixar o país.

Em Damasco, já são 550 os brasileiros - 305 levados ontem de ônibus e outros 245 que chegaram por meios próprios- que aguardam o resgate dos vôos organizados pela TAM e Gol. Até o próximo sábado, 830 pessoas serão trazidas de volta ao Brasil em aviões da FAB ou das companhias comerciais que estão apoiando o governo no repatriamento dos brasileiros. O primeiro vôo de Damasco, com 225 lugares, partirá hoje, às 13h, fará uma escala em Natal às 18h30, e deverá chegar a Guarulhos às 22h15.

A mesma aeronave seguirá novamente para Damasco na quinta-feira e decolará em direção ao Brasil na sexta-feira, às 9h, fazendo uma escala em Natal às 14h30 e chegando a Guarulhos às 18h45. As negociações para um terceiro vôo organizado pelas companhias aéreas ainda estão em curso. Entretanto, o Itamaraty confirmou ontem um novo vôo da FAB para o próximo sábado, com 150 lugares, partindo de Adana, além de dois outros programados para hoje (150 pessoas), e quinta-feira (80 pessoas), sempre às 22h.

Nas próximas operações de resgate no Líbano, o governo brasileiro também prestará assistência a argentinos, bolivianos, paraguaios e canadenses, a pedido dos governos desses países, a exemplo do que já ocorreu na primeira operação de resgate no Líbano.

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