Bairros

Moradores de ruas de terra lutam contra a poeira

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Uma nuvem de poeira invade o bar do “seu Ademir” toda vez que o ônibus ou algum carro passa pela rua Takuji Takenaka, na Pousada da Esperança 2. Em seguida, ele, os freqüentadores do estabelecimento e os moradores das imediações sentem uma coceira no nariz e logo vem o espirro. O asfalto, tão esperado pelos moradores, ainda não tem data para chegar. Enquanto isso, “Seu Ademir” e moradores de ruas de terra de outros bairros de Bauru sofrem com o inverno seco, que pode terminar no sábado – a previsão é de chuvas isoladas.

Mas a meteorologista Rita de Cássia Cerqueira, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) avisa que poderá chover em um bairro e não em outro. “São chuvas isoladas”, frisa. Enquanto não vem a chuva, o comerciante Ademir Alves Pereira luta contra a poeira para conseguir atender seus clientes no balcão. “No período da tarde tem mais ônibus em circulação e, se não jogar água, a situação fica insuportável”, comenta.

A rotina da dona de casa Maria Madalena da Silva no mesmo bairro, foi alterada por causa da sujeira causada pela poeira. “Todos os dias tenho que jogar água na frente da casa e o Departamento de Água e Esgoto pede para economizar água. Como?, questiona.

Na casa dela, a poeira, além de causar problemas respiratórios no casal e nos dois filhos, tingiu a cortina da sala. “A cortina era de renda branca, mas com essa seca passou a ser marrom”, comenta.

Coceira pelo corpo e no nariz são os sintomas que atacam Maria Aparecida Moreira de Almeida, também moradora da Pousada 2. “As janelas têm que ficar fechadas, mesmo assim a poeira entra e pela manhã tenho que tirar o pó de cima dos móveis. Durante a noite coloco água no quarto”, relata.

Cristina dos Santos Fernandes teve que levar o filho ao médico quatro vezes nos últimos dias. “Ele sofre de bronquite e a poeira não deixa ele dormir”, diz. “A gente não dorme. A noite toda o menino vai para o inalador”, conta.

Ela sugere que um caminhão-pipa passe pela rua e espalhe água para assentar a poeira. “Se o caminhão molhasse a rua, ia melhorar de imediato. Mas o que precisamos mesmo é o asfalto”, completa. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que está descartada a possibilidade do caminhão-pipa molhar ruas de terra.

A Secretaria de Obras não dispõe de caminhões-pipa suficientes e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) recomenda economia de água. A Secretaria de Obras também informa que no momento não é possível afirmar quando as ruas de terra da Pousada da Esperança serão pavimentadas.

No Jardim Ivone, a falta de pavimentação nas ruas causa os mesmos problemas, Izair Costa. “Todos estão com a alergia atacada e as roupas do varal não param limpas”, reclamou.

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