Tribuna do Leitor

Tombar a Casa da Eny?... Devem, mesmo!


| Tempo de leitura: 3 min

Leio um pronunciamento da Codepac (órgão responsável por tombamentos de prédios considerados históricos pela municipalidade) na Tribuna do Leitor de 2/7/06 e me deparo com uma frase: “Um povo que desconhece seu passado, encontra dificuldades para transformar o futuro.” A mesma Codepac, que tem interesse em tombar o prédio da Eni, considerando-o patrimônio histórico. Não é um absurdo? Segundo essa tal de Codepac, aquele local deve ser conservado para que gerações futuras conheçam o que se passou ali. Por ser morador antigo nesta cidade, e atuante nos meios policiais, posso contar com grande conhecimento de causa, esperando que nossa geração atual tire suas conclusões.

O ano era 1968 ou 69, não me lembro bem. Eu era um policial recentemente chegado de São Paulo, capital. A casa da Eni funcionava a pleno vapor. Recebia autoridades, como governadores e deputados. Vinham discretamente em seus aviões particulares e eram também recebidos “discretamente” pela própria (Eni). Havia um policial que trabalhava lá (o nome dele, não importa). Era extremamente reservado e inteligente. Quando havia qualquer tipo de desinteligência, tudo era “acomodado” sem interferência policial, e todos saiam satisfeitos.

Quando os acontecimentos eram mais graves e havia feridos, sempre havia um médico por lá, que tomava as providências. Não se pode dizer que havia um médico de plantão por lá... mas, quem sabe?... Quando não era possível evitar interferência policial, havia um corpo de advogados (os melhores da cidade), que tomava providências, sempre com competência e discrição. Eram instruídos para agirem sob sigilo absoluto, sempre “preservando o bom nome da casa”.

O dinheiro “corria solto” por todos os lados, e todos se sentiam satisfeitos. Não se pode dizer também que o lugar era freqüentado por marginais. A verdade, é que estes se lá fossem, comportavam-se condignamente. Não posso dizer aqui, que algum deles foi preso quando freqüentava a casa. Como se pode observar, conclui-se que a Eni, era uma pessoa inteligente, e procurava sempre cumprir a lei. No entanto, também deve-se lembrar, que muitos casamentos foram desfeitos, muitos “filhinhos de papai” deixavam de ir na escola (mesmo de dia) para freqüentarem aquela casa. Reservo-me o direito de contar apenas um desses casos: a esposa, ficou sabendo que seu marido tinha “um caso” com uma “menina” da Eni. Procurou tirar seu esposo daquela vida, e não conseguiu. Vendo-se fracassada e agindo com instinto de vingança, começou a freqüentar também o local, até que deparou-se frente a frente com o marido. Disse-lhe: “Lá em casa, você tinha de graça, agora aqui você paga!...”

A família foi desfeita, e os filhos é que sofreram as conseqüências. Houve muitos casos de homens que largaram suas namoradas ou noivas para “se juntarem” com as freqüentadoras daquela casa. Quando inquirida sobre esse aspecto, ela sempre falava: “Eu não vou buscar ninguém em casa. Apenas ofereço alegria, diversão... e mulheres!” Por esses motivos é que sou a favor do tombamento da ex-casa da Eni. Mas tombar tudo com um trator!... Derrubar tudo. Raspar até a terra que lá se encontra, para não ficarem marcadas as orgias, o antro de prostituição que por lá existiu. Para se esquecer, não preservar. Para não fomentar idéias malucas de “senhoras casadas”, que por se acharem desejadas, lembrem-se dessa casa. Deve-se lembrar que, naquela época, mulheres também tinham idéias idiotas, deixando marido e filhos e caindo naquela vida.

Ora, senhores e senhoras da Codepac!... Façam-me o favor. Daqui a pouco vão querer tombar também a zona do meretrício, casa da Antonia etc... Fica aqui registrado meu repúdio por esse órgão. Parabenizo a sra. Dineia Rasi Batista que no mesmo dia pronunciou seu descontentamento nesta coluna, dizendo que a Codepac ou são incompetentes, querem aparecer, ou estão “tirando um sarro com a nossa cara”. Disse ainda que tais pessoas estão jogando a Codepac “na lata do lixo”. Deveriam jogar também no lixo os escombros da demolição dessa casa... e enterrar!...

Luís Carlos Pasquarelo - RG 3.053.575

Comentários

Comentários