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CGU aponta esquema das ambulâncias na gestão FHC

Folhapress
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Brasília - Levantamento divulgado ontem pela Controladoria Geral da União (CGU) demonstra que a atuação da Planam foi maior nos últimos três anos do governo Fernando Henrique Cardoso. A empresa é acusada de ser a cabeça do esquema que desviava recursos do Orçamento da União por meio da compra superfaturada de ambulâncias.

Os dados da Controladoria Geral da União (CGU) revelam que 2002, último ano do governo FHC, a Planam respondeu por mais da metade dos contratos firmados pelo Ministério da Saúde para a compra de ambulâncias. Dos 615, a empresa ficou com 317. O Ministério repassou para a empresa R$ 27,04 milhões. Em 2001, a Planam respondeu por 24,25% dos contratos e em 2000, por 28,60%. O ministro Jorge Hage (CGU) enfatizou que no governo Lula os números caíram.

No primeiro ano do mandato do PT, os contratos com a Planam com o Ministério da Saúde representaram 24,39%; em 2004 baixaram para 16,17%. Segundo o ministro, ainda não é possível dizer que em todos os contratos há irregularidades, mas como há a presença da Planam estão sob suspeita.

A apresentação do levantamento contou com a presença do ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Ele foi, ao lado de Hage, escalado para defender o governo do bombardeio de que está envolvido com a máfia das ambulâncias. O levantamento mostra que prefeituras do PSDB e PFL tiveram um maior envolvimento com a Planam.

Uma lista com nomes de 33 parlamentares, identificados pelos partidos, também foi divulgada. Todos tiveram seis ou mais emendas destinadas à compra de ambulâncias que foram adquiridas pela Planam. Nesse levantamento, que inclui até mesmo um deputado morto, 13 são políticos da oposição. Hage admitiu que a intenção foi defender o governo. “Por que o governo há de ser posto na condição de réu quando foi o autor da investigação? Vamos divulgar os dados objetivos escancaradamente”, disse.

O ministro criticou a CPI dos Sanguessugas que estaria vazando informações que interessam a determinados partidos. “Não se trata de jogar os sanguessugas no colo do governo, mas de se repelir o escamoteamento da verdade. A fonte da CGU não é A ou B nem de quem está interessado na delação premiada”, afirmou.

As informações da Controladoria são baseadas no resultado das investigações de prefeituras escolhidas por sorteio. O ministro Thomaz Bastos foi mais cauteloso. Disse que não se trata de defender o governo, mas de fazer um “enunciado de um crime muito grande” que o Executivo está investigando.

Oposição

A oposição acusou o governo de usar a máquina para se defender. “Ele recebeu uma tarefa que é confundir a sociedade, já que a CPI desnuda esse governo e esse Congresso. Ele (Jorge Hage) é um tarefeiro que tenta jogar a sujeira para debaixo do tapete”, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

“É uma atitude escapista do governo. Eles querem colocar no Congresso um problema que é do PT. A Maria da Penha (ex-funcionária do Ministério da Saúde que seria o braço do esquema no órgão) é deles, então que assumam a responsabilidade”, emendou o líder do PFL, senador José Agripino (RN).

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