Hoje a facilidade da comunicação é enorme e muitos jovens nem imaginam como era dificultoso entrar em contato com familiares e amigos no início da década de 80, no interior do Nordeste brasileiro.
Quando cheguei para trabalhar na “pequena” Corrente-PI em 1982, encontrei uma cidade sem posto telefônico, isso sem contar que não existia nenhuma rua asfaltada e nem captava canais de televisão. A copa do mundo foi no rádio mesmo, ao lado de uma “buchada arretada”.
Todos os dias um contínuo passava nas mesas e distribuia um formulário telegráfico onde escrevíamos nossas mensagens e ele levava ao correio. Assim era nossa comunicação à distância com familiares e amigos.
Logo no começo, meu fluxo de mensagens, devido àsaudade, era diário, mas depois do fato ocorrido e aqui narrado passei a utilizar os serviços telefônicos de uma cidade a 300 Km dali, a querida Bom Jesus do Piauí, terra dos familiares da D. Dalva, esposa do meu compadre Derli.
Ao lado dos Correios tinha um bar e “restaurante”, onde fazíamos nossas refeições e quando chegamos ouvimos gritos vindo do interior do Correio.
O funcionário gritava mais que os bodes que saboreávamos semanalmente. Palavras do estafeta: “A cidade é uma m...(pt). Sem fone, TV e um calor terrível (pt). Ainda bem que é por pouco tempo (pt). Saudades da civilização (pt) Roberto”. Para minha surpresa, o telegrama era passado via rádio.
Agora a cidade inteira já sabia minha opinião a respeito dela. Fui-me embora rapidinho...
Contada por Roberto “General” Macedo