Bairros

Casos de leishmaniose sobem, mas letalidade está em queda

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Uma má e uma boa notícia. Os casos de leishmaniose visceral em humanos, doença transmitida pelo mosquito palha e que é uma epidemia em Bauru deste 2003, continuam aumentando: com a confirmação de mais dois casos ontem, neste ano já são 34, dois a mais que em 2005 inteiro. Porém, o número de mortes tem caído. Neste ano nenhuma pessoa perdeu a vida por causa da doença, que em 2005 matou quatro.

Ou seja, a epidemia não está controlada, mas a letalidade caiu. Para o secretário municipal de Saúde, Mário Ramos, a redução nas mortes mostra que Bauru está no caminho certo quanto ao diagnóstico e tratamento.

“Quanto mais cedo for diagnosticada a leishmaniose e rápido aplicado o tratamento, melhor a resolutividade”, avalia, referindo-se ao fato de que os médicos atualmente estão muito mais preparados para fazer o diagnóstico da doença do que em 2003, quando foi registrado o primeiro caso na cidade.

Na ocasião, algumas pessoas chegaram a ser tratadas por meses para, depois, descobrir-se que estavam com leishmaniose. Rosa Alice Barros sabe bem o que é isso. “Minha irmã ficou doente e os médicos diziam que era anemia. Só descobriram que era leishmaniose quando já não tinha mais jeito. Ela morreu”, relembra.

Ramos acredita que, como ocorreu em Araçatuba, que também enfrentou a epidemia, Bauru está conseguindo combater a doença. “O que nós pretendíamos, que era controlar a letalidade da doença, estamos alcançando”, frisa.

Mas ele ressalta que a redução de casos de leishmaniose em humanos e cães exige a participação da população na limpeza de seus quintais uma vez que o mosquito transmissor da doença se procria em material em decomposição, ou seja, lixo. “Nós temos uma cidade com cerca de 70 mil terrenos baldios e para controlar a epidemia, todos os moradores têm de colaborar para manter a limpeza”, completa.

Concorda com ele João Batista Gomes, que mora no Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), um dos bairros de maior incidência em leishmaniose. “Aqui no bairro fizeram mutirão para limpar os terrenos baldios por causa da doença. Mas é difícil manter. Sempre tem alguém que joga lixo. A gente tem de ficar de olho”, conta.

A Secretaria de Saúde, ressalta Ramos, está desenvolvendo um programa de controle da doença que inclui o diagnóstico de cães doentes – o animal é reservatório da doença - e o controle da população canina. “Aumentamos para 2.800 coletas mensais de sangue de cães para análise, vamos fazer o censo canino e estamos com programa de posse responsável e controle populacional”, enumera.

Novos pacientes

A Secretaria Municipal de Saúde, através do Departamento de Saúde Coletiva, informou que os dois novos pacientes com leishmaniose são um homem de 51 anos que mora na Vila Industrial e uma menina de 8 anos que reside no Jardim Olímpico.

Os resultados dos exames foram informados pelo Instituto Adolfo Lutz. Ambos já foram tratados no Hospital Estadual de Bauru. Segundo o Departamento de Saúde Coletiva, as medidas de controle e prevenção da doença já foram desencadeadas na área de abrangência dos dois novos casos.

____________________

Castração

O próximo passo do Programa Municipal de Controle Animal é quanto à população de cães. A proposta do secretário de Saúde, Mário Ramos, é fazer mutirão de castração de cães na periferia, região que os moradores não têm condições financeiras para pagar pelo procedimento. “Quero fazer este mutirão até o final do ano”, planeja.

Ramos conta que está em negociação com clínicas veterinárias da cidade para que elas ofereçam serviço de castração de cães a preço de custo para a população da cidade como um todo.

Comentários

Comentários