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Supla usa fotolog e celular para divulgar CD

Por Gustavo Miller | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Primeiro, foi a garota de Berlim, depois, a japa girl de cabelos verdes. Agora, a mulher homenageada por Supla é a menina do fotolog. Sempre muito criativo ao divulgar um novo CD, o roqueiro, que já se vestiu de pirata e até foi fazer autopropaganda em um “reality show”, descobriu na tecnologia uma grande arma para vender o seu peixe.

Para promover seu último trabalho, o Papito acaba de lançar uma música exclusiva para ser baixada no celular e criou um fotolog para uma das canções de “Vicious”, seu próximo CD, que chega às lojas no mês que vem. Desde o último dia 14 deste mês disponível na Internet, o single “Porque eu só quero comer você” já está entre as músicas mais baixadas do site Ligaki (www.ligaki.com.br).

A música está ao lado de hits da Copa como o “Hino do Brasil” e “A Taça do mundo é nossa”, e o download pode ser feito tanto nos formatos monofônico quanto polifônico. Nas operadoras Claro e Vivo, ela também está como toque polifônico. Em breve, deve ser lançada como “truetone” para as outras operadoras de celular.

Chatolog

Para promover uma canção de “Vicious”, Supla inventou uma maneira diferente: um fotolog inspirado em sua letra. Em “Chatolog”, ele faz uma crítica bem-humorada às meninas e meninos que fazem poses sensuais com pouca roupa em seus diários virtuais e que passam o dia inteiro em frente ao computador.

“Eu tô sozinho/ Enfurnado no quarto/ Precisando de alguém/ Tô desocupado/ Computador ligado/ Hoje vou tirar foto com minha roupa X/ Todo mundo comenta/ É isso aí/ Aquele velho papinho/ Cheio de ilusão/ Minto como estou/ Pra chamar sua atenção”, canta. Apesar de nascer como algo puramente marqueteiro, o roqueiro acabou ganhando gosto pela ferramenta.

No www.fotolog com/hot_chatolog, há várias fotos dele com a sua banda, além de dicas culturais, como sites e novos sons que ele curte. “Procuro não ficar naquela coisa alheia da foto pela foto”, diz. Ele também aproveita para falar sobre os futuros shows que irá fazer e diz conseguir estabelecer um maior diálogo com os seus fãs, como acontece em seu site (www. supla.com.br).

Aliás, no novo CD, além de “Chatolog”, há outra canção em que Supla brinca com uma situação do cotidiano hi-tech. “Museu dos Pobre” (sic) aponta as diferenças sociais e o consumismo que a tecnologia trouxe. Usando como rima o iPod, a música começa assim: “Só os playboy tem e pode/ E os pobre só se f.../ Mal chegou, saiu de linha/ Só lançaram lá na gringa/ Chegou lá na loja e seu pai vai comprar/ E seu amigo já vai te copiar/ Se não bastassem roupas, computador e celular/ Você vai querer trocaaar.”

“A tecnologia aumenta as diferenças sociais porque ela está implícita em nossa cara”, comenta. A idéia para escrever “Museu dos Pobre” surgiu quando Supla acompanhava o seu pai, o senador do PT Eduardo Suplicy, em palestras realizadas na periferia paulistana.

Ao final das apresentações, ele perguntava aos presentes quem deles tinha o tocador da Apple. “Ninguém levantava a mão. Isso numa sala de duas mil pessoas”, diz. Crítico e irônico em sua forma escrachada, o Papito diz que a música pretende apenas dar um toque para conscientizar as pessoas. “A tecnologia ainda só existe para uma parcela da população, mas eu sou a favor dela. Eu só acho que ela deve ser consumida racionalmente”, observa, em tom sério.

Rei da mídia

Enquanto canta o repertório do novo álbum e solta alguns palavrões em inglês, o eterno adolescente diz que é a favor da troca de músicas pela Internet. “Quem vive de música tem de se conformar, não adianta querer lutar contra essa revolução tecnológica”, afirma.

Supla destaca como grande aliado a maior divulgação que seu trabalho ganhou com a rede de computadores. Como exemplo, cita as raridades que ele, vira-e-mexe, recebe e ouve de seus fãs. “Há umas músicas de bossa-nova que eu gravei há muitos anos em Nova York e as deixei esquecidas no site de um amigo. Outro dia, um garoto as cantou para mim e disse que aquele era o meu melhor trabalho. Pô, eu fiquei pasmo! Nem eu sabia cantar as letras mais”, ri o punk, de 40 anos. Apelidado de Rei da Mídia, Supla sabe como ninguém vender sua imagem, principalmente nos meios de comunicação. Seja no rádio, televisão e, agora, pelo celular.

No reality show “Casa dos Artistas”, exibido em 2001 no SBT, pedia diariamente para os telespectadores comprarem o seu CD “O Charada Brasileiro”. A cara-de-pau deu certo. Independente e vendido a R$ 9,90 nas bancas de jornal, o álbum vendeu mais de 500 mil cópias.

Já outra vez, enquanto caminhava pelo Centro de São Paulo, ele notou que os camelôs não estavam vendendo o seu último DVD. Rapidinho, Supla deu o original para um deles e disse: “Pode piratear, mete bronca e faz propaganda.” “Hoje em dia, a comunicação é muito rápida, e eu tenho de aproveitar isso”, tenta desculpar-se, dando uma risada digna do verdadeiro Charada.

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