Agudos - Um grupo de professores e alunos da Faculdade de Agudos (18 quilômetros de Bauru) estão desenvolvendo o projeto “Família de Presidiários” com o objetivo de fazer um diagnóstico socioeconômico de cerca de 500 famílias de detentos, a maioria de Bauru.
Segundo a socióloga Márcia Regina Vazzoler, coordenadora do projeto, a equipe de estudantes que fazem parte do estudo é formada por 15 pessoas da área de administração e pedagogia da Faculdade de Agudos (Faag).
O projeto foi dividido em fases. Na primeira, de acordo com a socióloga, será feito um diagnóstico socioeconômico de 500 famílias de presidiários. Este diagnóstico deve mapear as condições de vidas dessas pessoas para, em seguida, como medida emergencial, direcionar a promoção social. Eles deverão receber uma cesta básica da Organização Não-Governamental (ONG) “Conselho da Comunidade”, de Bauru.
Numa segunda etapa serão desenvolvidos sub-projetos como a “Brinquedoteca no Presídio”, destinados às crianças de 3 a 9 anos que visitam os pais nas unidades penitenciárias além da “Formação do Cidadão e Geração de Renda”, que tem o objetivo de dar formação profissional às mulheres dos detentos através de cursos de capacitação.
Esses cursos são de customização de roupas, aproveitamento de alimentos, artesanato, informática, reciclagem de lixo, entre outros.
De acordo com Vazzoler, o projeto também vai atender familiares de presos dos municípios de Agudos, Arealva e Piratininga. Segundo a socióloga, dos 50 questionários que já foram aplicados até agora, dados preliminares constataram que o perfil comum dessas famílias é a baixa escolaridade de seus integrantes, assim como a pequena renda familiar, que fica abaixo dos R$ 50,00 ao mês.
O custo do projeto foi estimado em R$ 380 mil e a duração será de um ano. A socióloga comenta que o grupo aguarda a continuação dos trabalhos de campo após uma definição sobre a procedência dos recursos que devem bancar o projeto.
“O trabalho de campo nós estamos aguardando porque foi pedido auxílio em pesquisa para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e a Petrobras. Porque existe um custo disso. Caso (o recurso) não venha, a gente vai tentar fazer pela Faag mesmo”, comenta.
A socióloga lembra que as pesquisas preliminares (que representam 10% do total previsto) constataram que o maior problema, em relação aos filhos dos presidiários, é com os jovens na faixa etária entre 10 e 16 anos. Segundo ela, muitos são analfabetos e não têm motivação para os estudos.
“Nos adolescentes é falta de interesse e motivação. As crianças, muitas vezes, ficam sozinhas em casa e esperam a mãe que geralmente sai para procurar emprego ou trabalhar como catadora de materiais recicláveis”, constata.
A pesquisa também aponta que o preconceito da sociedade em relação aos familiares que têm um ente preso é outro problema enfrentado pelas famílias.
A psicóloga ainda ressalta a dependência das famílias com relação ao pai que está preso. “Eles (os familiares) estão em uma situação precária porque o único provedor de renda é a pessoa que está presa e eles ficam totalmente descobertos”, conclui.