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Melhoria contínua


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Insanidade

Recentemente, em um treinamento que ministrava, me perguntaram se considerava o Ayrton Senna uma pessoa bem sucedida. De pronto respondi que não. Todos os participantes me olharam com espanto. De imediato, mandei uma pergunta de volta para os mesmos:

- Vocês acham certo uma pessoa se matar para se auto-realizar?

Na sala, um silêncio absoluto predominou. Foi quando justifiquei minha resposta: “Como pode um ser humano sendo de carne andar de veículo naquela velocidade? Na minha opinião, apesar de ter sido acidente, o Ayrton Senna tinha um pouco de suicida. Deu no que deu. Ele morreu”.

Fazendo uma comparação: com menos esforço e risco, hoje, qualquer pessoa que esteja viva é mais rica financeiramente do que ele. Ayrton Senna, ao partir daqui, não levou nada. Temos que aprender a discernir bem antes de definir um ídolo.

Existem marketings mentirosos, que geram ilusões. É um absurdo idolatrarem um suicida. Temos de procurar a verdade em tudo. Desconfiar é a palavra-chave.

Nessa linha de raciocínio, vejo a mídia e a sociedade cultuando somente o sucesso profissional como comprovante de auto-realização. Deixam em segundo plano os sucessos moral e espiritual, que são mais essenciais e equilibrantes. Conseqüentemente, assistimos atos de insanidade.

Veja, por exemplo, pesquisa do Hospital Albert Einstein com 400 presidentes de empresas (revista Exame de 19 de julho de 2006), que revelou um quadro alarmante:

- 70% dos executivos estão acima do peso;

- 50% possuem altas taxas de colesterol;

- 40% correm o risco de desenvolver depressão.

O título da matéria na revista é: “Subir na empresa faz mal à saúde”.

Eu sei que a pressão em cima deles é grande e que o assunto é polêmico, mas esses líderes são suicidas, na minha percepção, considerando que o suicídio é ato de autodestruição, segundo dicionário da língua portuguesa.

Se esforçam em fazer mais com menos, mas encontram seus limites. Falam que delegam tarefas, mas acompanhando muitos deles percebi que centralizam muitas atividades com receio de perder o poder.

Devido a isso, geralmente esse tipo de pessoa é obrigada a abandonar a família, filhos, parentes, amigos e, principalmente, a religião para dar conta do recado. Ficam ligados sete dias por semana, 30 dias por mês.

Ignorância dos males que provocam para si não pode ser. Trata-se muito mais de ambição exagerada. É aí que o desequilíbrio encontra terreno fértil e, conseqüentemente, os riscos de tomadas de decisões erradas aumentam sensivelmente.

Como o corpo precisa de descanso e alimentação correta, a mente necessita de afeto, de amor, de lazer e de descanso também.

O que pode ser mais importante do que a saúde? O que pode ser mais importante do que a vida? A meu ver, brincam com Deus, pois um dos dez mandamentos é “não matarás”.

Esses executivos, antes de passar pelo Hospital Albert Einstein, deveriam passar por um tratamento psicológico. Há mais de dez anos, através desta coluna, Melhoria Contínua, venho alertando sobre tais riscos. Eu sei que muitos acham que exagero algumas vezes. Mas o tempo já está dizendo a verdade.

Desejo equilíbrio e saúde para todos.

Sugestão de melhoria

Experimente dormir cedo e acordar cedo! “Deus ajuda quem cedo madruga”.

Davison de Lucas, diretor da M. Davison & Associados e consultor organizacional.

www.mdavison.com.br

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