A organização não-governamental (ONG) “Alfabeto Sem Amarras” elaborou um projeto que pretende simplificar a língua portuguesa. O projeto será enviado para segmentos nacionais e internacionais da área da educação, pertencentes ao grupo dos sete países lusófonos.
Segundo o presidente da ONG, José Perea Martins, o objetivo é democratizar a educação e a cultura do Brasil através de um idioma simplificado. O novo alfabeto da língua portuguesa foi elaborado por um grupo de professores. Cerca de 28 profissionais da educação já assinaram a proposta, segundo Martins.
O novo alfabeto prevê mudanças nas formas como se lê as letras e a extinção de algumas delas. De acordo com Martins, a forma de nomear a letra passaria a ser mais didática, semelhante ao ensino do alfabeto a crianças. Martins cita um exemplo. Segundo ele, a letra “L” não seria mais chamada de “éle”, mas sim de “lê”, remetendo às antigas cartilhas. O “Ç” seria excluído do alfabeto, sendo substituída pela letra “C”. A letra H também seria extinta.
“O primeiro estudo nosso, a primeira proposta, é para simplificar o alfabeto porque a gente entende que ele é o primeiro degrau da escala, a base da pirâmide. Porque quem souber direito o alfabeto, eu acho que já sabe 90% da língua”, comenta Martins, que também é professor.
A proposta criada pela ONG foi detalhada e documentada por um grupo de professores e será enviada, segundo Martins, para apreciação da sociedade. Segundo ele, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) se mostrou interessado em apoiar a idéia no Senado. Além dele, o acadêmico da Academia Brasileira de Letras (ABL), Jaime Sclia, também seria favorável à simplificação do idioma, segundo Martins.
Congresso Nacional
Em breve, o estudo que prevê mudanças no idioma será enviado para apreciação da ABL, do Congresso Nacional e do Ministério da Educação. Também será enviado para os sete países que compõem o chamado grupo dos lusófonos: Moçambique, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, mais o Brasil.
O presidente da ONG lembrou que a última reforma no idioma, tímida segundo ele, ocorreu em 1990 num acordo feito entre os sete países lusófonos. “A última reforma foi o acordo ortográfico de 1990, que ainda não foi muito bem difundido no Brasil. Acabou com todos os acentos diferenciais que ainda restavam (pêlo, pára, pôr, o trema, o apóstrofo e o hífem em algumas palavras). Essa proposta nasceu em Portugal. Sete países se reuniram, concordaram e vieram ao Brasil, que transformou em lei”, explica Martins, ressaltando que dois dos sete países ainda não assinaram o acordo e que Brasil e Portugal são os únicos onde se fala plenamente o idioma. “Nos outros existem muitos dialetos e línguas originárias”, conclui.
A mudança, segundo a professora Aikô Matsumoto Yoshimura, poderia ajudar os profissionais da educação no processo de alfabetização, mas segundo ela, muitas vezes os próprios educadores não se interessam pelo assunto. “Eu acho que deveria ter uma crescente divulgação nas escolas, nas faculdades, nas universidades. Às vezes o professor se desinteressa por comodismo. Tem que ser bem divulgado para conscientizar que esta mudança é favorável para todos”, opina.
A ONG “ Alfabeto Sem Amarras” foi fundada em fevereiro deste ano, por 18 pessoas, e tem como finalidade, conforme seu estatuto, efetuar estudos para a simplificação das regras do idioma português. A proposta de mudanças no idioma foi assinada por 28 professores.