Polícia

Dois são baleados em casa noturna

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Dois seguranças de uma casa noturna localizada na quadra 20 da avenida Duque de Caxias foram baleados, na madrugada de ontem, quando abriam as portas do estabelecimento para saída do público que deixava um baile realizado no local. Os tiros atingiram Rafael Durval Souza, 24 anos, morador do Bela Vista, e Cléber Luiz Machado, 32 anos, residente no Jardim Silvestre. Eles foram internados em estado grave.

Segundo boletim de ocorrência (BO) registrado no plantão policial, pouco antes da saída do baile houve uma briga generalizada no interior da casa noturna, obrigando os seguranças a intervir na confusão e a retirarem do estabelecimento algumas pessoas. Passado o tumulto, a porta principal foi fechada e abriu-se outra na lateral para a saída dos freqüentadores.

Neste momento, dois desconhecidos - apenas um deles estaria armado - teriam entrado no estabelecimento, se aproximado dos seguranças e efetuado os disparos, que teriam acertado Machado na cabeça e Souza no pulmão, na barriga e na perna.

Após terem sido baleados, os seguranças foram socorridos pela unidade de resgate do Corpo de Bombeiros e encaminhados ao Pronto-Socorro Central com ferimentos gravíssimos. Posteriormente, Souza e Machado foram transferidos para o Hospital de Base, onde passaram por cirurgias e, até o fechamento desta edição, permaneciam internados em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Ainda conforme o boletim, os suspeitos dos crimes teriam fugido em um Volkswagen Gol prata. A Polícia também apreendeu uma fita VHS do sistema de segurança da casa noturna, uma carteira com pertences pessoais de Machado e um projétil de chumbo amassado.

Ailton Mauad, pai de um dos proprietários da casa noturna, estava no hospital em busca de informações sobre o estado de saúde dos seguranças e, mesmo não estando presente no local na hora dos fatos, prestou informações à imprensa. “O Cleber estava longe, a 12 metros atrás das portas. Por isso, acho que ele pode ter sido vítima de uma bala perdida, que poderia ter atingido qualquer outro freqüentador do local”, salientou. E deu outros detalhes do crime: “Depois de alguns disparos já terem sido feitos, um cara teria continuado a atirar no Rafael e teria gritado para ele “reage agora!”.

Mauad frisou, ainda, que o horário dos crimes coincidiu com o da abertura habitual da porta do estabelecimento. “O baile já havia terminado e, por volta das 4h, que é o horário que costumamos abrir a porta para o pessoal sair, fomos surpreendidos pelos tiros das pessoas que estavam fora da casa noturna. Isso nunca havia acontecido com a gente em dois anos de funcionamento”, destacou.

Já uma das proprietárias da casa noturna, que pediu para não ter o nome divulgado, relatou não ter visto o crime. “Não tenho como falar porque estava fechando o caixa na hora e não vi nada, mas daremos todo o apoio às famílias dos seguranças. Ninguém quer que aconteça isso e trabalhamos tão duro para vir um louco fazer esse tipo de coisa. Estamos atuando há dois anos e nunca tivemos sequer uma briga lá dentro nesse período”, destacou, para depois complementar:

“Estou achando que é algo de fora. Não foi nem briga o que ocorreu lá na hora. Foi uma discussão normal que acontece quando o pessoal já está alcoolizado e os seguranças pegam e põem para fora. Acho que não tem nada a ver com a briga. Só um louco para descarregar tantos tiros em uma só pessoa.”

Quando questionada sobre a possibilidade da reportagem do JC contatar o outro sócio-proprietário da casa noturna, que teria visto toda a ação dos criminosos, ela afirmou que não seria fácil. “Vai ser difícil você encontrá-lo hoje, pois ele está muito abalado”, concluiu.

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Familiares

No Hospital de Base, amigos e familiares dos seguranças tentavam entender o ocorrido e aguardavam apreensivos notícias médicas de Rafael Durval Souza e Cléber Luiz Machado. Sérgio Luiz Breve, tio de Machado, acredita que seu sobrinho tenha sido vítima de uma “bala perdida”. “Isso porque ele não estava na frente do pessoal quando a porta se abriu, mas sim 12 metros atrás”, contou Breve. E acrescentou: “Ele não tinha inimigos e há mais de dez anos também tem emprego fixo.”

O irmão de Machado, Leonel Machado, ressaltou que diversos integrantes da família já o haviam aconselhado a abandonar o serviço de segurança em razão da periculosidade da profissão.

“Já trabalhei com isso e sei como as coisas funcionam nesse ramo. Por isso, já tínhamos falado para ele parar”, afirmou, para depois fazer um apelo: “Se alguém souber de alguma coisa das pessoas que fizeram isso com meu irmão, por favor, que não deixe de procurar a polícia.”

Já os familiares e amigos de Souza, que não permitiram a divulgação de fotos dele, também permaneciam tensos e ansiosos por informações de seu estado de saúde. “Conhecia bem ele e já tínhamos trabalhado juntos. É um cara bacana, que não tinha inimizades, e isso me fez estranhar muito o que aconteceu com ele”, disse um amigo de Souza.

A esposa de Souza, Suzana dos Santos, 28 anos, confirmou que o marido não tinha inimigos e que, apesar do estado grave, não corria risco de morte. “Ele nunca teve inimizades e trabalha no local há cerca de um ano, mas como o bandido chegou lá e começou a atirar para cima e para baixo e como ele estava na frente da porta, foi o que acabou recebendo mais tiros. Mas ele já está fora de perigo, mas permanece em observação na UTI e ficará internado por mais algum tempo, pois ele tomou vários tiros. Foram oito”, disse Santos, contrariando a versão do boletim de ocorrência de apenas três tiros.

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