Beirute - Pelo menos 56 pessoas morreram nos bombardeios de Israel contra o vilarejo de Qana, sul do Líbano, na madrugada de ontem, no 19.ª dia de combates com o grupo terrorista libanês Hizbollah. Dentre as vítimas, 37 eram crianças e 16 eram mulheres, segundo fontes da polícia libanesa e das equipes de resgate ouvidas pelas agências internacionais de notícias.
O secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, convocou uma reunião de emergência para ontem. “Estou profundamente consternado”, afirmou Annan. Em discurso incomum, ele disse que a depredação, ontem, da sede da ONU em Beirute mostrou a falta de ação rápida e eficiente do órgão no conflito.
Um prédio de três andares situado em uma colina de Qana, o qual servia de abrigo a famílias que haviam fugido de outras cidades do sul do Líbano bombardeadas nos últimos dias pelo Exército israelense, desabou. De acordo com um sobrevivente, 63 pessoas estavam no edifício no momento do ataque.
“Não quero que me perguntem sobre números. Todos sabem que servimos de cobaias para as armas deles, as bombas de implosão. É a única coisa que se vê”, declarou, entre lágrimas, Naim Rakka, um dos coordenadores da equipe de emergência da Defesa Civil libanesa, com os corpos de duas crianças nos braços. Esse foi o ataque mais sangrento de Israel ao Líbano desde que começou o combate, em 12 de julho.
O estopim do conflito foi o seqüestro de dois soldados israelenses levado a cabo pelo grupo terrorista libanês Hizbollah. A violência já deixou cerca de 490 mortos no Líbano, entre eles mais de 430 civis, 20 soldados libaneses e 35 terroristas, e mais de 52 mortos em Israel, sendo 19 civis.
Entre os mortos no Líbano, há sete cidadãos brasileiros, dos quais três crianças.
Resposta do Hizbollah
O Hizbollah ameaçou revidar a qualquer ataque. “Esse massacre bárbaro, que representa uma mudança grave e perigosa no curso da guerra, pode levar a reações contra o mundo mudo e cúmplice, que deve assumir suas responsabilidades, porque esse massacre horrível, como outros, não permanecerá impune”, disse o grupo em comunicado.
Pouco depois do ataque, o primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, descartou a possibilidade de qualquer negociação, pediu uma investigação internacional sobre o bombardeio e exigiu um cessar-fogo imediato e incondicional. Para ele, os bombardeios de Israel são “crimes contra a humanidade”.
Também foi desmarcado o encontro que ocorreria com a Secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que estava ontem em Israel.
O Hizbollah intensificou os ataques contra Israel. Dezenas de foguetes foram lançados contra localidades no norte de Israel, atingindo áreas urbanas. Os ataques feriram pelo menos quatro civis e levaram o pânico à região.
No sul do Líbano, perto da cidade de Adaisse, um míssil do Hizbollah atingiu um tanque israelense e feriu quatro soldados, os quais foram levados a Israel para tratamento. Assim, subiu para oito o número de soldados israelenses feridos em combate no sul do Líbano ontem.