Internacional

Israel quebra trégua e ataca o Líbano

Folhapress
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Beirute - O governo de Israel havia ordenado uma interrupção de 48 horas nos ataques aéreos após a comunidade internacional ter condenado bombardeios israelenses que deixaram 56 mortos na cidade de Qana, anteontem, no sul do Líbano (ao menos 37 das vítimas eram crianças que morreram enquanto dormiam). As ações por terra e mar, no entanto, continuam. Apesar do cessar-fogo aéreo, Israel lançou bombardeio por mar ontem, causando a morte de um soldado libanês na cidade portuária de Tiro. Outros três militares libaneses ficaram feridos. Tropas israelenses também mantêm ações por terra contra o Hizbollah.

Ontem, unidades do corpo de engenheiros do Exército israelense realizavam a destruição sistemática das fortificações instaladas pelo Hizbollah ao longo da fronteira entre Israel e o Líbano, segundo informações do Ministério da Defesa israelense. Sessenta tratores gigantes blindados do Exército, tipo D9, com uma potência de 410 cavalos, participam destes trabalhos de demolição executados por um batalhão de reservistas do corpo de engenheiros.

O presidente norte-americano, George W. Bush, pediu ontem uma paz duradoura no Oriente Médio, porém não mencionou um cessar-fogo, reivindicado pela comunidade internacional após o ataque israelense.

Anteontem, após a mortífera ação israelense, o grupo terrorista Hizbollah lançou mais de 100 foguetes Katyusha contra Israel. Não houve registro de vítimas. O prédio atacado anteontem abrigava pessoas que haviam fugido de outras regiões bombardeadas por Israel e que tentavam escapar da morte em Qana. Israel havia pedido que as pessoas deixassem a cidade, tirando a opção dos refugiados de se esconder naquele local.

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, que esteve em Israel neste fim de semana, disse que um cessar-fogo definitivo poderia ser acertado ainda nesta semana, embora Israel tenha dito que seriam necessários mais 15 dias de ação para alcançar os resultados desejados: destruir por completo a infra-estrutura do Hizbollah.

O cessar-fogo definitivo citado por Rice envolve o governo do Líbano - que não participa das ações violentas entre as forças israelenses e o Hizbollah. Segundo Rice, o governo libanês deve assumir o controle do sul do país, onde se concentram as bases do Hizbollah e de onde são lançados foguetes Katyusha contra o território israelense.

As Nações Unidas adiaram indefinidamente a reunião do Conselho de Segurança que deveria esboçar, ontem, a composição das forças internacionais de paz para o sul do Líbano. O adiamento se deu em razão da impossibilidade de prever a votação de um cessar-fogo no conflito entre Israel e o grupo radical xiita Hizbollah.

A violência entre Israel e Hizbollah já deixou cerca de 500 mortos no Líbano (a maioria civis, além de sete brasileiros) e 50 mortos em Israel (19 civis).

O presidente da Síria, Bashar al Assad, determinou ontem que o Exército sírio reforce o estado de preparação em razão da situação internacional e de “desafios regionais”, informou a agência oficial Sana. Por enquanto, a Síria ficou de fora no conflito entre Líbano e Israel, mas ataques israelenses têm se aproximado gradativamente do território sírio, com várias ações militares na rodovia que liga Beirute a Damasco.

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