Na seção “A Bauru que sonhamos”, alguém poderia plagiar as palavras do orador grego Isócrates, proferidas há 22 séculos a respeito da Atenas ideal:
“Que nosso povo viva em segurança, que haja fartura, que na cidade reine a união e a concórdia e que mereçamos a estima de nossos vizinhos”. Muitos poetas modernos, cada um a seu modo, opinaram também sobre suas cidades, como o pernambucano Manuel Bandeira: “Eram lindos os nomes das ruas da minha infância: rua do Sol, rua da União! Tenho medo que hoje se chamem dr. Fulano de Tal”. Ou o chileno Pablo Neruda: “A bandeira do dia ondulando sobre telhados escassos”. Ou o lusitano Fernando Pessoa: “Cidade da minha infância pavorosamente perdida...” Ou ainda Drummond de Andrade: “Itabira hoje é apenas um retrato na parede. Mas como dói!”
A respeito da cidade do Rio de Janeiro, Bandeira se refere como “Cidade de sol e de bruma! Se não és mais capital desta nação, não faz mal. Jamais capital nenhuma empanará teu brilho e igualará teu encanto! Louvo o Pai, louvo o Filho e louvo o Espírito Santo”. O carioca André Filho, em 1934, compôs a marcha Cidade Maravilhosa, que se tornou Hino Oficial da Cidade, e que fala em “Terra de encantos mil, berço do samba e das lindas canções”, mas um sambista mais recente foi mais realista: “Rio de Janeiro, cidade que me seduz, de dia falta água, de noite falta luz!”
Rui Bertoti - médico e ex-vereador