São Paulo - A polícia de São Paulo matou no primeiro semestre - período marcado pelos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) - 84,27% a mais do que nos seis primeiros meses do ano passado. De janeiro a junho de 2006, segundo dados oficiais divulgados ontem pelo governo Cláudio Lembo (PFL), 328 pessoas foram mortas por policiais civis e militares no Estado; no mesmo período do ano passado, 178 mortes foram contabilizadas. Em todo o 2005, foram 329.
Por lei, o governo estadual é obrigado a apresentar publicamente os índices de criminalidade a cada três meses. Ontem, foram divulgados os números referentes ao 2.º trimestre deste ano, que incluem o período entre 12 e 19 de maio, quando houve a primeira onda de ataques do PCC.
O aumento entre um trimestre e outro é considerável. Foram 212 (abril, maio e junho) contra 116 (janeiro, fevereiro e março). Na época dos ataques, o governo afirmou que, das pessoas mortas por policiais, 92 tinham ligação com os atentados do PC.
Considerando-se as 328 mortes cometidas por policiais militares e civis em São Paulo, até o dia 30 de junho, a média diária é de 1,82. No primeiro semestre de 2005, esse mesmo índice foi de 0,98 casos.
Entre as polícias, a Militar foi a que mais matou - como sempre ocorre desde julho de 1995, quando o governo começou a tornar público os números da violência no Estado. Somente no primeiro semestre deste ano, PMs mataram 298 pessoas em São Paulo, contra 158 no mesmo período de 2005. O aumento foi de 88,61%.
“A polícia não matou inocentes nos confrontos com o PCC”, afirma o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, comandante-geral da Polícia Militar.
A comparação entre os primeiros seis meses de 2005 e de 2006 revela que o número total de prisões efetuadas pelas forças de segurança do Estado caiu no período. Enquanto aconteceu o aumento na letalidade policial foi de 84,27%, o número de prisões efetuadas pela polícia sofreu uma redução de 2,6%. De 45.454, nos seis primeiros meses de 2005, para 44.270, no mesmo período deste ano.
O número total de apreensões de armas também sofreu uma queda: no primeiro semestre de 2005, 16.238 armas foram encaminhadas para os depósitos da Polícia Civil; neste ano, 13.437, ou seja, o período foi marcado por uma queda de 17,25% nas apreensões.