Economia & Negócios

Apesar de queda, álcool ainda está mais caro que em 2005

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O litro do álcool anidro está mais barato que no começo do ano, porém mais caro que no ano passado. De acordo com informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço máximo cobrado pelo litro do combustível em Bauru chegou a R$1,59 no mês passado. Na primeira semana de 2006, o álcool mais caro da cidade custava R$ 1,799. Em março, no auge da crise causada pela entressafra da cana-de-açúcar, o bauruense chegou a pagar R$ 2,00 pelo litro do produto.

Nunca o preço do combustível oscilou tanto como em 2006. Perde a empresa que revende álcool, o trabalhador que depende do combustível, como os motoristas de táxi e também o consumidor comum. “Não dá para fazer um planejamento, uma planilha. A variação é muito grande”, lamenta Norberto Aguiar, taxista há dois anos.

De acordo com o economista Adriano Fabri, o preço máximo praticado em julho de 2005 e o valor desse ano são próximos. A maior diferença é no preço médio, que subiu 25,25% no período. “É um valor muito acima da inflação, que não chegou a 5%”, calcula. De acordo com o economista, a alta do álcool e do açúcar no mercado externo fez com que a produção se voltasse às exportações em detrimento do consumidor brasileiro. “As usinas estão fabricando para exportar e acaba diminuindo a oferta aqui. O resultado é que o preço do álcool realmente baixou depois da crise, mas continua mais caro do que deveria”, avalia.

Apesar da verdadeira gangorra de preços no semestre, o economista afirma que o investimento em carros bicombustíveis continua sendo uma boa opção. “Hoje, a diferença entre os preços do álcool e da gasolina é de 58%. Ele só deixa de valer a pena quando for 70%. A partir daí, o rendimento da gasolina é melhor e o combustível passa a compensar”, observa.

De acordo com Fabri, nos momentos de entressafra da cana, o carro com motor flex pode ser abastecido com gasolina. E durante uma possível crise do petróleo, mesmo se o álcool estiver mais caro do que já foi registrado, ainda compensaria encher o tanque com o produto.

Segundo Wagner Siqueira, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), nunca a variação de preços foi tão acentuada. “Era uma verdadeira roda gigante. Não existe coerência para uma variação grande”, lembra. Para o taxista Aguiar, que gasta cerca de R$ 300,00 por semana com álcool, o primeiro semestre não vai deixar saudades. “Os valores mudavam muito toda a semana. E também de posto para posto. Se você não controla, trabalha só para pagar combustível”, conta.

No site da ANP, os valores máximos do litro do álcool registrados foram R$ 1,799 em janeiro, R$ 1,699 em fevereiro e depois um aumento para R$ 2,00 em março. O mês de abril manteve a alta, com o máximo de R$ 1,999, mas em maio o litro do combustível caiu para R$ 1,799, no posto mais caro na cidade. Junho registrou o menor valor do ano - o álcool mais caro custou R$ 1,499 - e julho fechou com o máximo de R$ 1,590 o litro. Em comparação com a região, o valor do combustível de Bauru não está tão caro. O maior valor cobrado foi encontrado em Botucatu.

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Estabilização

Segundo o economista Adriano Fabri, passada a crise da entressafra da cana, a tendência é o preço do álcool se estabilizar. O dirigente do Sincopetro concorda. “A moagem da cana nas usinas começou e o preço caiu. Acredito que continue assim por mais algum período”, observa Wagner Siqueira.

O economista porém, prevê que os próximos anos podem ser mais difíceis. O Japão anunciou que vai adicionar álcool a gasolina consumida no país. O protocolo de Kyoto, que definiu metas mundiais para a diminuição da poluição, também vai contribuir para que outras nações tomem a mesma medida. “Todas as usinas que estão sendo construídas não vão ser suficientes para atender esse mercado”, calcula Fabri. Com a produção focada na exportação, o bolso do motorista brasileiro pode sofrer ainda mais no futuro.

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