A LAN acaba de colocar em operação uma rota que encurta em cinco horas a viagem São Paulo-Lima, Capital do Peru. As aeronaves sobrevoam praticamente todo o Brasil, cruzando o Interior Paulista – passam exatamente em cima de Bauru - e seguindo pelo Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bolívia, Amazônia e Acre.
Ao contrário do percurso São Paulo-Santiago (Chile), não se vêem picos nevados na Cordilheira dos Andes. Um ou outro apenas se destacam pela altitude impressionante (na Bolívia passam dos 4.000 metros, no Peru, chegam a 3.850 metros).
Depois de cruzar essa sucessão de montanhas, o avião se aproxima de Lima, mas é tanto nevoeiro que é praticamente impossível avistar a cidade.
Como Lima é eternamente coberta por uma camada cinza, muitos se referem à ela como uma cidade feia - o que não é verdade. Essa idéia tem quem ainda não a desvendou.
Banhada pelo Oceano Pacífico e com índice pluviômetro baixíssimo – os visitantes se surpreendem com a quantidade de parques, áreas livres e jardins incrivelmente floridos. A explicação: as áreas têm irrigação subterrânea e as empresas gozam de descontos nos impostos quando investem em paisagismo.
Ao contrário do Brasil, onde apenas se coloca uma plaquinha de participação, lá o nome da empresa ou do produto são expostos em topiaria, com resultado imediato. Basta cruzar a Via Rápida para se ver o resultado.
O aeroporto de Lima fica a poucos quilômetros do mar. E é agitadíssimo, seja de dia ou de madrugada, quando chegam a maioria dos vôos.
Em meio aos funcionários dos receptivos, no pátio do estacionamento, a presença de crianças com trajes coloridos vendendo guloseimas, surpreende, mas não choca, por estarem sempre acompanhadas da mãe ou de irmãos.
Hoje, o Peru é o grande eixo de convergência dos turistas que optam por uma América do Sul única, diferente. Algo mais do que tango e estação de esqui. Por conta disso, chegam turistas de todas as partes do mundo. Muitos deles são procedentes de Los Angeles, pelo fato da LAN ter vôos diretos para os Estados Unidos.
Homens e mulheres de todas as idades, classes sociais e disposição. A maioria deixa claro no desembarque que está indo para Cusco e Machu Picchu. No caso dos japoneses, isto fica evidente pela organização. Os mais idosos levam consigo tubos de oxigênio, garrafinhas de água, bonés e sapatos de trekking e sempre seguem alguém com uma plaquinha vermelha nas mãos.
Segundo as operadoras de viagem, entre elas a conceituada Viajes Pacífico – Gray Line, dirigida por Isabel e Enrique Quinõnes, com 30 anos de mercado, cada vez mais cresce o interesse dos turistas pelo Peru, que se destoa do batidão, tem legados de culturas ancestrais, muita história e gastronomia única.
Exemplo disso é o quinua, o cereal inca que hoje é a grande descoberta em termos nutritivos. O grão, com altíssimo valor nutritivo, é composto por vários aminoácidos essenciais que o corpo não produz e rico em ômega 3 e 6. A quinua real é encontrada em grãos, flocos e farinha.
____________________
Giro pela história
O rio Rimác, que corta a Capital peruana e passa exatamente atrás do Palácio do Governo, deu origem ao nome Lima. Significa em linguagem indígena “falante ou falador”, por ser, antes de canalizado, muito barulhento em razão da correnteza.
O passeio pelo Centro Histórico pode começar por ele, que está hoje muito seco e sujo. O setor velho tem ruas estreitas, calçadões, algumas casas e sobrados que aguardam restauração, outros prédios remodelados – o Palácio de Torre Tagle é lindíssimo -; um comércio agitado, ambulantes que vendem artesanato em dólar, sol ou mesmo em real; muitas crianças pedindo dinheiro e, claro, igrejas, praças e palácios como qualquer outra cidade colonizada por espanhóis.
A Capital peruana foi fundada em 18 de janeiro de 1535 pelo conquistador Francisco Pizarro, que dizimou com o último deus inca. Trinta e cinco anos após a descoberta do Brasil pelos portugueses, Lima, na Costa do Pacífico, era estratégica para os ibéricos ampliarem seus domínios na América do Sul, por conta da localização de seu porto no centro da costa do país.