Internacional

Casa Branca teme êxodo de cubanos

Por Sérgio Dávila | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - O governo dos EUA teme que um período prolongado de indefinição e informações incompletas sobre a recuperação ou não de Fidel Castro e sobre sua sucessão possa detonar um êxodo para o Estado norte-americano da Flórida de cubanos infelizes com o atual regime ou inseguros com o destino do país.

Movimentação semelhante ocorreu pelo menos em duas ocasiões antes, em 1980, quando 125 mil pessoas deixaram a ilha, e em 1994, quanto outros milhares chegaram à Flórida.

Washington teme ainda que movimento contrário possa ocorrer entre cubanos exilados em Miami, animados com boatos sobre a iminente morte do líder cubano ou decididos a resgatar parentes que ainda vivem em Cuba.

“É importante dizer às pessoas que fiquem onde estão”, recomendou o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, referindo-se a ambos os casos. “Este não é o momento para as pessoas tentarem entrar na água.”

Segundo o funcionário do governo, há estudos para “eventualmente encontrar um caminho seguro e pacífico para as pessoas tentarem transitar entre os dois lugares”.

Ele disse ainda que os EUA têm dificuldades para obter informações sobre a saúde do ditador. “Cuba é uma sociedade fechada e está sendo difícil avaliar a situação.”

Até agora, segundo a Guarda Costeira norte-americana na área, não há movimento acima do normal no estreito da Flórida desde o anúncio da internação de Fidel Castro, na segunda-feira. “Não vimos absolutamente nada fora do normal”, disse o comandante Jeff Carter.

Também a Marinha negou que os navios sob o comando da Estação Naval de Mayport, na Flórida, e da de Norfolk, na Virgínia, responsáveis pela região, tenham mudado seu procedimento padrão.

A preocupação principal, por enquanto, é com a tempestade tropical Chris, que pode se tornar o primeiro furacão da temporada de 2006. Plano Mesmo assim, o governador do Estado, Jeb Bush, afirmou que já trabalha com um plano conjunto entre o governo e a Guarda para minimizar a movimentação em ambos os sentidos. “Não queremos que uma migração em massa cause perda de vidas”, afirmou em Tallahassee, capital do Estado.

Tal plano foi confirmado em Washington pelo senador republicano Mel Martinez, da Flórida, ele próprio um exilado cubano do regime de Fidel.

O político disse que teve acesso a um planejamento militar há duas semanas que prevê o deslocamento de embarcações tanto da Marinha quanto da Guarda Costeira para o estreito, que atuarão no caso de uma mudança de poder ou de regime em Cuba detonar a movimentação.

O conselho do porta-voz da Casa Branca conta com o apoio de um dos principais grupos de anticastristas exilados, a Fundação Nacional Cubano-Americana. Seu presidente, Alfredo Mesa, defendeu que os exilados deveriam evitar ceder à tentação de voltar a Cuba; em vez disso, deveriam continuar mandando dinheiro para a oposição já presente na ilha.

Nem todos pensam como ele. Ramón Saul Sánchez, do Movimento Democrático, conhecido por ter uma frota de balsas que resgatava do alto-mar cubanos tentando chegar à Flórida e cuja atividade andava adormecida, disse que seu grupo já estava trocando as peças de seus barcos e fazendo estoque de água e comida, apenas por precaução.

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