Internacional

Hizbollah lança 210 foguetes em 1 dia

Por Michel Gawendo | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Metula - O grupo terrorista Hizbollah disparou ontem ao menos 210 foguetes contra o norte de Israel após 30 horas de refugo - o maior número de disparos em um dia após 22 dias de ofensiva militar israelense. Um míssil de longa distância atingiu um campo aberto perto da cidade palestina de Jenin, na Cisjordânia, a 70 km da fronteira com o Líbano, sem deixar feridos.

Sessenta e três foguetes foram disparados no intervalo de uma hora na manhã de ontem. A cidade de Beit Shean, no vale do rio Jordão, foi atingida pela primeira vez e Afula voltou a ser bombardeada com mísseis de longa distância, provavelmente Chaibar, iranianos. Em um kibutz perto de Nahariya, a 10 km da fronteira, um homem de 52 anos foi atingido por estilhaços de um Katyusha quando andava de bicicleta, e morreu na hora. Outras 52 pessoas foram feridas nos ataques.

A cidade de Haifa voltou a ser atingida depois de cinco dias. O míssil que atingiu território palestino abriu uma cratera de dois metros de profundidade no chão. “Sabemos que eles não tiveram intenção de atacar o território palestino”, disse um porta-voz do governo local.

Faixa de segurança

Os disparos do Hizbollah começaram depois da ação de um comando israelense no leste do Líbano, a 10 km da fronteira com a Síria. O país colocou as tropas em alerta, e o premiê israelense, Ehud Olmert, que acusa Damasco de envolvimento direto no conflito por armar o grupo xiita, chamou anteontem o governo sírio de “imaturo” e “promotor do terrorismo”. Olmert e o chefe do Estado-Maior israelense, Dan Halutz, afirmam que a infra-estrutura do Hizbollah vem sendo danificada, mas que o grupo manterá a capacidade de disparar contra Israel mesmo após a guerra.

Israel continua a ofensiva por terra no Sul do Líbano. As tropas avançaram ontem em pelo menos 20 aldeias, seguindo a determinação do governo de adentrar o máximo possível até que a pressão internacional imponha o final das operações. Os militares pretendem ocupar nos próximos dias uma faixa de segurança de pelo menos 5 km em território libanês, de Metula a Rosh Hanikra (cerca de 70 km), mantida até o envio de uma força internacional.

Os conflitos com o Hizbollah nas aldeias continuam intensos. Israel começou a usar ontem parte dos 30 mil reservistas convocados para a invasão terrestre. Eles vigiarão aldeias, liberando tropas regulares para atuar em outras localidades. Ao menos um soldado morreu em Aiat al Shaab, principal foco dos combates.

O Exército de Israel diz ter matado pelo menos dez terroristas. Os militares voltaram a lançar panfletos sobre aldeias advertindo a população a sair da região.

Segundo diplomatas europeus, soldados libaneses estão abandonando suas bases, e membros do Hizbollah estão assumindo as posições. Helicópteros de Israel dispararam contra bases do Hizbollah em Baalbek. Segundo autoridades libanesas, 19 pessoas morreram, incluindo quatro crianças.

Caças israelenses dispararam ainda contra uma base do Exército libanês em uma região controlada pelo Hizbollah, matando um soldado. Halutz disse que o país estuda retomar os ataques aéreos intensos, inclusive em beirute, suspensos após a morte de 56 civis em Qana, no domingo.

Halutz afirmou que, na ação contra um hospital desativado em Baalbek, foram recolhidas informações de inteligência e armas e que foram capturados cinco membros do Hizbollah. Olmert admitiu depois que os cinco são de baixo escalão. Segundo o chefe do Estado-Maior, a operação vai terminar quando houver coincidirem “objetivos militares e políticos”. O ministro da Justiça, Haim Ramon, acha que a ofensiva pode durar mais dez dias. Pelos números oficiais, 643 civis, 46 membros do Hizbollah e 26 soldados libaneses morreram. Em Israel são 19 civis e 36 soldados mortos. Ao menos 750 mil libaneses e 300 mil israelenses deixaram suas casas.

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