Uma equipe da Polícia Federal passou nove horas vasculhando um apartamento em nome do empresário Aírton Daré, num edifício de alto padrão, na Vila Universitária. Os policiais entraram no imóvel por volta das 13h30 e só saíram depois das 22h. No local, encontraram uma pequena mala e sacolas com dólares e reais. Aírton Daré Filho chegou por volta das 16h e acompanhou o trabalho dos policiais.
A intensa movimentação de viaturas tirou a tranqülidade dos moradores do local. De acordo com um vizinho, logo pela manhã, uma equipe da Polícia Federal tentou ser recebida no local. Impedidos pelo porteiro, um policial chegou a pular o portão do prédio. Informados da situação, os funcionários passaram a colaborar. Durante toda a tarde, os veículos oficiais chegavam em alta velocidade, com sirenes ligadas e muitas vezes transitavam pela contramão de direção.
O entra e sai chamou a atenção de curiosos, que acompanharam de longe o movimento. Até mesmo os moradores do prédios não sabiam ao certo o que estava acontecendo. Nos prédio vizinhos, muitos espiavam pela janela, mas no apartamento ocupado pelos policiais, as janelas que ficavam voltadas para a rua permaneceram fechadas.
Logo às 14h uma das viaturas chegou trazendo um passageiro no banco de trás. Ele cobriu o rosto ao passar pelas equipes de jornalistas que faziam plantão na frente do edifício. Um hora depois, mais das pessoas foram trazidas para o imóvel. O filho de Aírton Daré chegou no prédio por volta das 16h30. De acordo com o delegado Praxíteres Praxedes, que coordenou as operações em Bauru, Daré Filho acompanhou as ações policiais. Às 17h outras duas viaturas chegaram no local.
Os policiais só deixaram o apartamento por voltas das 22h15. Eles seguiram direto para a Delegacia da Polícia Federal, na avenida Getúlio Vargas. Praxedes só falou com a imprensa perto das 24h. Ele contou que no apartamento encontraram um cofre e precisaram da ajuda de um chaveiro para abri-lo. Dentro dele, os policiais encontraram dinheiro. Ainda no apartamento, o delegado disse ter encontrado mais cédulas. Impedido de fornecer o valor, pois a investigação corre sob sigilo, ele se limitou a dizer que a policia descobriu “uma pequena mala e algumas sacolas com dinheiro”.
Para agilizar a totalização, a polícia pediu emprestado à Caixa Econômica Federal uma máquina de contar dinheiro. “E mesmo assim o processo foi demorado”, disse.
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Entenda o caso
Há pouco mais de um ano, a revista Época denunciou que a empresa Bauruense era a detentora de 90% dos contratos da mão-de-obra terceirizada por Furnas Centras Elétricas no ano de 2004, o triplo do serviço prestado em 2003.
Segundo a revista, a empresa teria vencido cinco concorrências para gestão de terceirizados em 2004 e outros cinco contratos sem licitação com Furnas e pelo menos um aditamento no mesmo período. A Bauruense teria faturado 11 contratos com prazos de até 24 meses, numa conta que chega a R$ 323 milhões, salto de 340% em relação a 2003.
A denúncia diz, ainda, que a principal cliente da empresa de Bauru seria Furnas, onde haveria funcionários não concursados ocupando as mais variadas funções, inclusive as proibidas pela Constituição Federal.
Na época, o empresário Aírton Daré explicou que a empresa vencia as licitações porque tinha lucros muito baixos - não passaria de 5% e até sofreria prejuízo. Disse, ainda, que não era político e nem gostava de política.
Furnas, segundo a revista, confirmou ter firmado contratos sem licitação com a Bauruense em função de uma liminar que a impediu de continuar as concorrências para contratação de pessoal, em 2004. A estatal argumentou que os contratos tinham expirados e, para não prejudicar os serviços, uma vez que não tinha autorização do governo para novas contratações, optou por renovar os contratos com a empresa de Bauru.
A explicação não convenceu a Procuradoria Federal porque a liminar vigorou de abril a maio de 2004 e alguns contratos foram fechados em fevereiro e junho. Furnas disse, na época, que os contratos sem licitação foram substituídos pelos licitados, mas o Tribunal de Contas da União deu prazo até 2006 para a substituição dos terceirizados por concursados.
Furnas, de acordo com a Época, tinha 4.455 funcionários efetivos e 2.076 terceirizados. Entre os contratados pela Bauruense para atuar em Furnas esteve, Arlindo Molina, ex-assessor de relações institucionais da estatal, preso sob a acusação de ter participado do grampo que flagrou o pedido de propina nos Correios.
Da Redação