Política

Genoino quer ‘limpar’ nome com eleição

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

O ex-presidente nacional do PT José Genoino afirmou ontem que vai utilizar a campanha para deputado federal para explicar os fatos que levaram ao seu afastamento do partido, em 2005, quando teve seu nome ligado ao esquema de caixa dois, comandado pelo publicitário Marcos Valério. Em visita ao Jornal da Cidade, Genoino afirmou que, mais do que ser eleito, quer mostrar à população que a verdade sobre o caso “não foi publicada pela imprensa”.

Segundo ele, os empréstimos ao PT, avalizados por ele durante a campanha de 2004, estão registrados na contabilidade do partido e discriminados na prestação de contas da campanha. “Os empréstimos que eu assinei não têm nada a ver com caixa dois, nem com as empresas do Marcos Valério. E eu cansei de dizer isso, mas a grande imprensa não destacava”, defendeu-se.

Outro episódio que o petista pretende pôr em pratos limpos é o que envolveu o assessor de seu irmão, José Nobre Guimarães, que foi preso com US$ 100 mil escondidos na cueca. De acordo com Genoino, o episódio foi isolado e não tinha relação com o PT. “Não posso ser condenado por ser irmão e eu não tinha nada a ver com esse episódio”, afirmou.

Erros cometidos

De acordo com o ex-presidente do PT, o partido cometeu erros, sobretudo na campanha eleitoral de 2004, quando abusou do marketing em detrimento ao trabalho da militância, que, segundo ele, sempre foi a marca da legenda. “As acusações contra o PT foram objeto da raiva de um ex-aliado que se tornou o maior inimigo do PT. Nunca teve mensalão, nunca teve compra de voto, o que teve foi o financiamento da campanha de 2004”, tenta argumentar.

Para ele, o PT precisa se reformar, para resgatar o papel da militância, dos diretórios, da formação política e, sobretudo, aperfeiçoar os instrumentos de comunicação interna do partido. “O PT tem 26 anos de história e prestou um grande serviço ao país, tem 800 mil filiados e dirigentes, não é por um erro político que você vai condenar o partido”, frisou.

Genoino ainda justificou sua defesa dizendo que não está dando sua versão às acusações, mas apontando para os resultados das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e do Ministério Público (MP). “O meu patrimônio é o mesmo há 25 anos. Eu não tenho um depósito, um cheque, uma reunião com o Marcos Valério. Minha responsabilidade nessa crise do PT é política e não criminal e é isso que estou colocando aos petistas e à sociedade”, afirmou.

‘Tortura pós-moderna’

José Genoino classificou as acusações que sofreu de “tortura pós-moderna”. Ele afirmou que não foi passivo na ocasião, quando deixou a presidência do PT, mas não se manifestou porque não tinha espaço na mídia. “Quando eu deixei a presidência do PT eu não tinha tribuna, não tinha mandato para responder as acusações”, disse.

Ele considerou normal a postura adotada para preservar a imagem do partido. Segundo Genoino, o que estava em jogo não era a pessoa física do político, mas o projeto de governo, que, para o ex-presidente do PT, é o grande alvo de PSDB e PFL, chamadas pelo candidato petista de “nova e velha direita”. “Eles atacaram o José Dirceu de maneira injusta, me atacaram, e depois que o Lula começou a subir nas pesquisas, atacaram o Palocci. Foi uma injustiça muito grande e a campanha eleitoral é uma tribuna para que a gente possa dialogar com o partido e com a sociedade”, salientou.

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Reforma política

O ex-presidente do PT José Genoino exerceu o mandato de deputado federal durante 20 anos. Com base na experiência que adquiriu no Congresso Nacional, ele avalia que a reforma política é utópica e que será muito difícil aprovar mudanças com profundidade, que incluam regras como a fidelidade partidária e o financiamento público das campanhas, entre outros tópicos.

Apesar disso, Genoino aposta que a reforma política ainda sairá do papel, desde que haja pressão da sociedade. “Se não houver pressão popular para que a reforma seja feita, o Congresso vai manter a mesma postura”, afirmou.

Ao contrário do deputado federal João Herrmann (PDT), que em visita ao JC na semana passada apostou que o país caminha para o bipartidarismo, Genoino indicou que o número de partidos vai diminuir, mas não de forma drástica. “Haverá uma divisão em dois blocos políticos, mas o número de partidos deve ficar entre oito e dez”, apontou.

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