Nova York - Em relatório publicado ontem, a ONG americana Human Rights Watch acusa o Exército de Israel de descumprir leis internacionais de guerra em seus ataques ao Líbano entre os dias 12 e 27 de julho e particularmente no ataque à cidade de Qana, no último dia 30. Diz o relatório: “O governo de Israel alega que tem tomado todas as medidas para minimizar os danos civis, mas os casos aqui documentados revelam uma falha das Forças de Defesa Israelenses para distinguir combatentes e civis”.
As forças israelenses acusam o grupo terrorista Hizbollah de usar civis como escudo, mas o HRW alega não ter comprovado essa acusação nos casos que investigou. O relatório diz que o Hizbollah guardou armas em ou perto de casas de civis e que os integrantes do grupo colocaram lançadores de foguetes em áreas povoadas e próximos de observadores da ONU - o que a ONG também considera “violações graves” das leis de guerra. Mas, diz, “esses casos não justificam o vasto uso de força indiscriminada” por Israel.
Diante das acusações da ONG, representantes da Embaixada de Israel no Brasil disseram ainda não ter uma posição oficial do país, que está analisando o relatório. O documento traz resultados de investigação sobre 153 mortes de civis, dos quais 63 tinham menos de 18 anos.
Também cita as mortes de pessoas com dupla nacionalidade e dedica um capítulo à família brasileira de quatro membros morta em Srifa. “Como a família estava passando férias no Líbano e residia normalmente no Brasil, é improvável que seus membros adultos estivessem envolvidos em atividades do Hizbollah”, diz o relatório.
Chamado “Ataques indiscriminados de Israel contra civis no Líbano”, o texto menciona os ataques contra civis em Israel efetuados pelo Hizbollah - qualificados de violações das leis humanitárias e prováveis crimes de guerra em outro documento.