Internacional

Israel sofre maior baixa em 23 dias

Por Michel Gawendo e Marcelo Nicio | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Tel Aviv - Doze israelenses - oito civis e quatro soldados - foram mortos ontem em ataques do Hizbollah. É o maior número de baixas do país desde o início do conflito com o grupo terrorista, que mantém o poder de fogo apesar de 23 dias de ofensiva no Líbano.

A retórica de ameaças cresceu dos dois lados: o Hizbollah ameaça atacar Tel Aviv, e Israel ameaça avançar 20 km em território libanês e destruir mais a infra-estrutura do país. O líder do Hizbollah, Hassan Nasrallah, ameaçou lançar mísseis contra Tel Aviv, a maior cidade israelense, se Israel voltar a bombardear Beirute.

Mas, no pronunciamento gravado e transmitido por TV e rádio no Líbano, Nasrallah também ofereceu, pela primeira vez, a possibilidade de um cessar-fogo.

“Se vocês bombardearem nossa capital, Beirute, nós bombardearemos a capital de sua entidade usurpadora”, disse Nasrallah. “Bombardearemos Tel Aviv. A resistência islâmica tem essa capacidade, com a ajuda de Deus”, disse o líder xiita.

Jerusalém é a capital oficial de Israel, embora seja reconhecida por poucos países. A inteligência israelense admite que o Hizbollah tenha mísseis com alcance para acertar Tel Aviv. Já foram posicionadas baterias norte-americanas antimísseis ao norte da cidade, mas o ritmo de vida continua normal, sem sinais da guerra a 130 km de distância.

Mas a ameaça de Nasrallah foi acompanhada de uma primeira abertura para terminar o conflito. “Em qualquer momento que vocês decidirem parar sua campanha contra nossas cidades, civis e infra-estrutura, nós deixaremos de disparar foguetes contra qualquer assentamento ou cidade israelense”, disse no pronunciamento, acompanhado com grande interesse no Líbano.

Após o discurso, a rádio Nur, do Hizbollah, abriu espaço para telefonemas de ouvintes. A maioria falou da ameaça de Nasrallah, dando apoio ao ataque contra Tel Aviv. A proposta de trégua foi quase ignorada.

Invasão

Fontes do Exército de Israel disseram que, se o Hizbollah cumprir a promessa, os militares vão destruir ainda mais a infra-estrutura libanesa. Já o ministro da Defesa israelense, Amir Peretz, orientou o Exército a se preparar para invadir o Sul do Líbano até o rio Litani, a mais de 20 km da fronteira.

Israel afirma ter, no momento, selado uma faixa de segurança de 5 a 6 km em território libanês. Se o Exército colocar em prática a ocupação até o rio, a faixa de segurança será maior do que a mantida de 1982 a 2000.

A decisão de expandir a ação depende de aprovação do gabinete. Caças israelenses bombardearam hoje pelo menos 70 alvos no Líbano. Os subúrbios de Beirute, onde fica o quartel-general do Hizbollah, voltaram a ser atingidos antes do discurso de Nasrallah, além de estradas no vale do Bekaa, perto da fronteira síria.

A artilharia de Israel também manteve os disparos contra o Sul do Líbano. Segundo fontes libanesas, dois civis morreram perto de Tiro e um em Baalbek, no Bekaa. O país voltou a lançar panfletos no Sul e nos subúrbios xiitas da capital advertindo a população a deixar o local.

Em Israel, entre os civis mortos ontem pelo Hizbollah, três são árabes. O grupo disparou mais de 150 foguetes em menos de uma hora. Anteontem, lançou cerca de 210.

Outros quatro civis israelenses sofreram ferimentos graves nos disparos do Hizbollah contra as cidades de Acre, Hurfeish e Kriyat Shmone, e quatro soldados foram mortos em um tanque atingido por um míssil do Hizbollah no Sul do Líbano.

O premiê Ehud Olmert quer uma força internacional de pelo menos 15 mil homens no Sul do Líbano, formada por “soldados de verdade, preparados para implementar a resolução da ONU (de desarmar o Hizbollah)”.

O premiê de Israel repetiu em entrevista à imprensa britânica que não parará a ofensiva até o envio da força internacional, e desafiou Nasrallah. “Se ele é tão corajoso, porque não aparece? Por que tem medo de sentir a luz do sol?”, questionou Olmert.

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