Polícia

Comerciante salva criança de pit bull

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

O garoto Júlio Henrique Vieira, de apenas 6 anos, sentiu na pele a potência do ataque de um cão da raça pit bull que estava nas pelas ruas da Pousada Esperança 1, sem focinheira e coleira. O menino, atacado em frente de casa, teve ferimentos na cabeça, orelha e nas costas. O proprietário de um bar próximo ao local socorreu a vítima desferindo golpes de corrente nas costas do animal. Ao final das investigações, o responsável pelo cachorro, que disse que o pit bull fugiu do quintal, poderá responder por duas contravenções penais, dependendo da apura;'ao feita pela polícia.

Por volta das 13h de ontem Júlio soltava pipa com os amigos na quadra 4 da rua José Alves Seabra, do Pousada Esperança I. Segundo David Wallace de Oliveira, que brincava com a vítima, antes do ataque, o cão foi visto na rua várias vezes pelas crianças. “A gente estava brincando há algum tempo. Ele (cachorro) deve ter passado umas quatro vezes pela gente. O Júlio estava com um pouco de medo. Quando ele correu, o cachorro mordeu”, afirma David.

Ao perceber que o garoto não conseguia se desvencilhar do pit bull, Valdemiro Henrique Mariano, dono de um bar em frente ao local onde as crianças brincavam, correu para socorrer o menino. “Um amigo achou esta corrente no terreno da esquina. Eu a peguei e dei vários golpes nas costas do animal até ele soltar a criança e fugir para a rua de cima”, explica Mariano. De acordo com ele, o cão parecia querer atacar apenas o menino, já que não largava a cabeça da vítima mesmo depois de receber fortes golpes de corrente. Júlio foi levadopara o Pronto Atendimento Infantil (PAI), com um grave ferimento na cabeça, outro na orelha e arranhões nas costas. Medicado, passa bem.

O cachorro foi localizado pela Polícia Militar dentro de uma casa na quadra 4 da rua Azevedo Maia, a cinco quadras de onde ocorreu o ataque. Cláudia (que preferiu não revelar seu sobrenome), ex-proprietária do pit bull conhecido como “Dogão”, percebeu que o animal vagava pela rua e o recolheu em seu quintal. “Eu vi ele (Dogão) passando e resolvi prender aqui dentro até localizar o dono”, afirma a dona de casa, que doou o cão para seu vizinho, Wiliam Anderson de Assis, para evitar possíveis ataques a seus filhos pequenos.

Vários curiosos se aglomeraram em frente à casa de Cláudia para saber o que estava acontecendo. Depois de alguns minutos de espera, funcionários do Centro de Zoonoses de Bauru chegaram ao local e capturaram “Dogão”, que ficara em observação durante dez dias no canil do órgão.

Versão do dono

Wiliam Anderson de Assis, que é o atual dono de “Dogão” e mora na quadra 4 da rua Alberto Del Masso, paralela à rua José Alves Seabra, onde aconteceu o ataque, afirma que nunca teve problemas com o cachorro, de 3 anos. “Ele sempre foi dócil com o pessoal de casa. Ele só fica no nosso quintal e sai para passear duas vezes por semana sempre de coleira”, afirma. Para Assis, que acredita que Julio não foi atacado pelo seu cachorro, “Dogão” escapou porque algum pedestre abriu o portão da casa onde mora.

Os policiais militares que atenderam a ocorrência acreditam que o autor do ataque foi mesmo “Dogão”. “Com certeza este é o cão. Testemunhas o reconheceram. Além do mais não é comum existirem vários pit bulls bege andando pelas ruas”, disse um dos policiais.

Como no boletim de ocorrência, registrado no 2º DP, consta que “Dogão” estava solto, sem coleira e focinheira em via pública. Dependendo do que for apurado no decorrer das investigações, Assis pode responder por duas contravenções penais: omissão de cautela na guarda ou condução de animais e lesão corporal culposa (quando a pessoa não tem a intenção de cometer a infração).

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Recomendações

Uma lei estadual regula a condução e segurança necessárias para se manter cães considerados ferozes. Além do pit bull, estão na lista o american stan ford, shire terrier, rotweiller e mastin napolitano, que têm de ser mantidos com muita segurança, dentro de casa. No passeio, os cães devem estar presos à coleira e estar usando focinheiras para evitar transtornos aos pedestres.

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Histórico

Este é o terceiro caso de ataque de cães da raça neste ano. Em janeiro, Sílvio Meneguette Dorico foi surpreendido quando fazia sua caminhada matinal de domingo na quadra 10 da rua Wenceslau Brás, Vila Pacífico. Dorico passava pelo local quando um pitt bul escapou de uma madeireira e o atacou. O homem sofreu ferimentos na mão e na perna, o que lhe custou uma passagem pelo Pronto-Socorro Municipal.

Em abril o ataque foi contra o tenente aposentado da Polícia Militar Irani Antônio Soares, 62 anos. Ele foi surpreendido pela manhã, em sua chácara Ana Rosa, localizada às margens da rodovia Bauru-Iacanga.

O cão, de 3 anos, fugiu de uma propriedade vizinha e o atacou na casa de máquinas da piscina, causando ferimentos de natureza gravíssima na vítima que, além de perder muito sangue, teve de ser submetida a cirurgias reparadoras.

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