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Superstições se acirram no mês agosto

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

Quem nunca ouviu alguém dizer que agosto é um mês de azar? Tem gente que não sai de casa sem aquele amuleto especial de proteção. Outros fazem orações em horários específicos e há até quem usa roupas no avesso durante os 31 dias. O fato é que mesmo aqueles que não acreditam em misticismos concordam que o mês do “cachorro louco” é diferente dos demais, envolto em superstições. No entanto, as explicações para o quase consenso estão na história clássica.

O policial militar Jorge Sebastião dos Santos é um exemplo quando o assunto superstição. Ele tem manias específicas que só pratica no mês de agosto. “Durante todos os 31 dias desse mês eu levanto da cama somente com o pé direito, rezo um Pai-nosso e uma Ave-Maria no mesmo horário, de manhã e à noite, todos os dias, além de usar as meias no avesso”, afirma o supersticioso que nasceu no dia de São Sebastião e tem dois “santos” no nome.

O motivo de tanta superstição encontra raízes familiares. Segundo Santos, ele conviveu desde criança em um ambiente rodeado de histórias místicas. “Acredito que tudo isso seja influência dos meus tios e padrinhos. Morei em fazenda até a adolescência e, no Interior, a religiosidade é mais aflorada”, explica o policial, que ouvia da própria avó conselhos para se seguir no mês do azar. “Só depois que eu desse três voltas ao redor do fogão de lenha é que minha avó deixava eu sair para a rua nas noites de agosto”, afirma.

Já o vendedor José Silvio Lopes não acredita que o mês de agosto tenha uma vibração negativa. “Para mim é um mês igual aos outros. A única diferença é que tem toda uma lenda antiga em torno dele. Criações do próprio povo que se propagaram e cresceram através dos anos”, acredita Lopes, que, mesmo assim, não nega que o misticismo fica mais latente nesse período. “Mas é verdade que agosto tem um clima diferente dos outros meses. Tem gente que não gosta nem de casar nesse mês”, concorda.

Vendas crescem

Pelo movimento em lojas de artigos místicos, as pessoas realmente acreditam que agosto é um mês atípico. De acordo com o tarólogo e proprietário de loja do ramo, João Rosa, o número de vendas em seu estabelecimento aumenta cerca de 40% no mês do “cachorro louco”. “Seria muito bom se todos os meses fossem iguais a agosto”, diz o tarólogo.

Os mais vendidos, segundo Rosa, são os cristais, seguidos de anjos da guarda, figas e gatos da sorte. “As pedras têm efeito contrário em relação à superstição do mês de agosto. Elas mandam embora as coisas ruins e trazem as boas para perto das pessoas”, explica o dono de loja que aponta o cristal olho-de-tigre como a coqueluche de agosto.

Rosa coleciona histórias curiosas contadas por seus clientes. “Uma pessoa desatenta passou debaixo de uma escada e construção na rua, só que era uma sexta-feira, dia 13 de agosto. Imediatamente ela veio à loja querendo algo para que mandasse todo esse azar embora,” conta.

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Explicação na história

Segundo o antropólogo Cláudio Bertolli Filho, é preciso voltar 2 mil anos na história para poder entender porque agosto é tido como um mês de azar. “Na verdade, as raízes de toda essa superstição que envolve o mês de agosto vem da Roma antiga. Foi lá onde se estabeleceram os períodos fastos (bons) e nefastos (ruins)”, explica.

De acordo com o antropólogo, agosto é o mês dedicado ao imperador romano chamado Augusto, e somente depois da morte dele as histórias a respeito do mês de azar começaram a se espalhar. “Augusto expandiu bastante o Império, mas para isso se confrontou com diversos imperadores, portanto ele teve muitos inimigos. Depois de sua morte, uma forma que eles encontraram para depredar a memória de Augusto foi estabelecer o mês de agosto como nefasto. Essa concepção foi divulgada em Roma”, esclarece Bertolli, que desmente o fato do fenômeno ser exclusivamente brasileiro.

O estudioso também tem uma explicação quanto à expressão “mês do cachorro louco”. “Essa é uma adaptação popular. É exatamente no mês de agosto que as correntes de vento aumentam. Elas vão até outubro, e, pela questão ambiental, nessa época os vírus e micróbios são mais veiculados pelo ar. Essas condições ambientais aumentam, ou pelo menos aumentavam a incidência de cachorros loucos”, afirma o antropólogo.

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