Mesmo com a possibilidade de renovação na Câmara dos Deputados, diante do envolvimento de vários parlamentares nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas, o vereador paulistano e candidato a deputado federal José Aníbal (PSDB), afirma que a reforma política ampla só será feita se o presidente da República enviar o projeto ao Legislativo.
Para ele, temas como fidelidade partidária, voto em listas, voto distrital, entre outras propostas para mudar a política no Brasil, não serão discutidas pelos deputados se o Poder Executivo não tomar a frente do projeto. “Não haverá reforma política de iniciativa do Legislativo. De cada dez deputados que você perguntar sobre reforma política, onze vão dizer que são a favor, mas não fazem”, frisou.
Para exemplificar a possibilidade do presidente enviar a reforma à Câmara, Aníbal citou o projeto da reeleição, que foi de autoria do Executivo e aprovado pelo Congresso Nacional. “Eu defendo que a reforma política seja enviada pelo presidente, e o Geraldo Alckmin já se comprometeu a enviar o projeto de fidelidade partidária, mas eu penso que devemos ampliar isso: fidelidade partidária, voto distrital, listas e financiamento público de campanha”, declarou.
Privilégios
Aníbal elogiou a lei 11.300/06, chamada de minirreforma eleitoral, que proíbe a realização de showmícios, distribuição de brindes e propaganda em bens públicos e outdoors. O problema, segundo ele, é que sem o voto distrital, as medidas não surtirão efeito imediato. “A lei é saneadora e reduz a influência do poder econômico na eleição. Ela torna a eleição um procedimento de conversa dos que querem ser representantes da população com a população. A lástima é que você ainda não tem o voto distrital”, ressaltou.
Mesmo com os benefícios da nova legislação, Aníbal alerta para os privilégios que os candidatos com maior penetração na mídia terão. Para ele, sem o voto distrital, os deputados e senadores que tentam a reeleição serão favorecidos. Mesmo diante desse quadro, o tucano aposta que a população irá votar com cautela, escolhendo candidatos que não tenham o nome envolvido com esquemas de corrupção. “O voto em outubro será cautelar. Os eleitores vão procurar candidatos com o nome limpo”, disse.
Sem bipartidarismo
Para Aníbal, a hipótese do Brasil chegar ao bipartidarismo, como sugeriu o deputado federal João Herrmann (PDT) é descartada. Segundo ele, a cláusula de barreira vai reduzir o quadro partidário, mas não vai chegar ao ponto de apenas dois sobreviverem. “O País pode ter 200 partidos, mas apenas cinco ou seis terão representatividade. A cláusula de barreira é importante por isso, porque é preciso ter diversidade na representação, desde que ela tenha alguma expressão na sociedade”, destacou.
De acordo com o tucano, a tradição brasileira não favorece o quadro com apenas dois partidos, mas ele acredita que a redução no número de legendas pode colaborar para melhorar a política no País. “A cláusula de barreira dará mais coesão à vida partidária”, frisou.
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“Lula faliu”
Conhecido por não ter papas na língua, o vereador paulistano José Aníbal, candidato a deputado federal pelo PSDB, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “faliu”. “O governo Lula faliu, desagregou inteiro. Dirceu, Palocci, Gushiken, Genoino, não sobrou nada. A capacidade dele de mobilizar as forças vivas do País também está esgotada. O Lula é pouco mais que um clone”, afirmou.
Para Aníbal, o governo Lula não soube aproveitar a estabilidade deixada, segundo ele, pelo antecessor Fernando Henrique Cardoso. “O Brasil conseguiu ter bons fundamentos econômicos, graças ao Fernando Henrique Cardoso. Agora, o Brasil precisa ser criativo, competente, para que possa crescer, com geração de emprego e renda, e não essa mesmice que está aí”, criticou.