O caminho de volta ao catolicismo não é tão freqüente, mas ele existe. Fiéis que deixaram a igreja em busca de novas experiências, nem sempre têm suas expectativas atendidas e acabam retornando.
“Eu trabalhava com pessoas evangélicas e elas acabaram me arrastando para a igreja delas. No início, eu achei tudo muito bonito e animado, mas depois percebi que tinha sido iludido”, relata o aposentado João dos Santos, 75 anos.
O convite dos colegas de trabalho para que ele fosse assistir aos cultos foi aceito quando Santos tinha 31 anos. Ele começou a freqüentar a Igreja Cruzada, onde ficou cerca de um ano. Depois foi para a Assembléia de Deus, onde permaneceu durante oito anos. Após essas duas experiências em igrejas pentecostais, Santos foi para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Lá ficou mais seis anos até finalmente tomar o caminho de volta ao catolicismo.
“Era uma tarde de agosto. Eu voltava do serviço a pé, quando passei em frente à Igreja de Nossa Senhora Aparecida e tive uma vontade muito grande de entrar. Não havia sol naquele dia. Eu estava doente espiritualmente e, ajoelhado, pedi a Deus um sinal”, conta o aposentado. “Pedi a Deus que o altar se iluminasse se aquela fosse a verdadeira igreja. Na mesma hora, uma luz vinda do teto iluminou o altar e não havia abertura e nem lâmpada do lugar de onde partiu a luz. Voltei para casa chorando.”
Santos relatou o que havia acontecido aos amigos e eles teriam dito que aquilo era “obra do diabo”. Ele conta que voltou à Igreja na tarde seguinte, fez o mesmo pedido e novamente o altar ficou iluminado. Isso aconteceu há 30 anos, segundo Santos, e desde então não deixou mais o catolicismo.
É possível notar ainda que até mesmo entre as diversas denominações evangélicas existe uma movimentação intensa. Um dos exemplos é Célia Regina Souza, 33 anos, que passou pelas igrejas Cruzada e Assembléia de Deus antes de chegar à Universal do Reino de Deus.
Segundo ela, na Universal encontrou uma igreja com um louvor tão animado quanto na Cruzada e com regras menos rígidas do que na Assembléia. “Era o que eu estava procurando e Deus tem me abençoado muito aqui”, diz.
Célia fala que chegou a morar na rua, onde pedia esmola para sobreviver. Hoje, tem emprego, carro e não pensa mais em suicídio, como fazia antes de se tornar evangélica.
A vontade de mudar de vida foi o que levou o bancário aposentado José Luiz Húngaro Comini, 55 anos, a deixar o espiritismo e ingressar em uma igreja protestante. Criado na doutrina espírita, Comini parou de freqüentar o Centro pouco antes de se casar. A esposa era de família evangélica, mas não tinha muita convicção de sua crença.
Após 12 anos de casamento, os problemas familiares eram tantos que não conseguiam mais enxergar uma saída. Foi aí que ele e a mulher começaram a freqüentar uma igreja evangélica, por recomendação de amigos. “Percebi que tudo o que eu sabia (sobre religião) podia ser jogado fora”, afirma Comini.
Depois disso, cursou teologia, fez trabalho missionário com alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com alcoólatras e drogados. Em 2000, já ordenado pastor, passou a cuidar de uma Igreja Batista no Núcleo Geisel, hoje com cerca de 75 membros.
Já o radialista Luiz Antônio Silva, 53 anos, fez o caminho inverso. Depois de passar cinco anos em uma igreja evangélica, abandonou a religião. Um tempo mais tarde, teve um problema de saúde e, por recomendação de amigos, decidiu fazer uma cirurgia espiritual. A partir disso, Silva começou a ter visões e passou a freqüentar um centro espírita. “Minha mediunidade aflorou e as visões aumentaram.”
O radialista diz ver equipes de médicos já mortos, que o usam para fazer cirurgias espirituais. Segundo Silva, todas as sextas-feiras são feitas, em média, cerca de 120 cirurgias desse tipo, em Luiziânia, perto de Penápolis.