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Para antropólogo, os fiéis querem resposta imediata

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 1 min

Toda religião tem uma eficácia simbólica. As pessoas mudam tanto de igreja porque elas estão buscando um grau ótimo dessa eficácia. Elas buscam respostas para questões que vão desde de onde vieram e para onde vão até como resolver seus problemas mais imediatos de saúde, familiares ou como conseguir um emprego. As pessoas vão tentando, até achar essas respostas.

Na avaliação do professor e antropólogo Cláudio Bertolli Filho, esse é um dos motivos que levam as pessoas a mudar tanto de religião. Segundo ele, religiões tradicionais como o catolicismo e parte do protestantismo, estão em decadência porque buscaram um racionalismo cada vez maior, sendo que a eficácia simbólica exige uma irracionalidade.

Enquanto isso, outras igrejas procuraram levar a religião para mais perto do povo. “Quer algo mais próximo do povo do que a igreja prometer emprego, prosperidade ou alguém dizer que a vizinha botou olho-gordo e que isso está prejudicando a vida dela?”, cita Bertolli.

“A vida após a morte pode ter um significado para as pessoas, mas não a importância sobre o que vou comer amanhã, como vou sobreviver. Elas estão atrás de respostas imediatas para seus problemas”, complementa.

Bertolli sustenta que a abertura política, iniciada em meados dos anos 80, também ajudou na transformação da sociedade.

“Tinha gente que tinha vergonha de falar que era protestante”, relembra o antropólogo. Hoje, segundo ele, muitos evangélicos falam de sua opção religiosa com orgulho. “Isso está ligado à abertura política. Nós nos sentimos muito mais livres para assumir nossas escolhas e dizer ‘eu sou homossexual, sou umbandista, sou espírita’”, exemplifica.

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