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Erros na escrita refletem o baixo nível de aprendizagem

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma análise mais detalhada das redações que são produzidas por alunos do ensino médio, por vestibulandos e até por universitários leva a uma constatação desanimadora. O nível de aprendizagem de uma parcela significativa dos estudantes de escolas públicas e particulares é muito baixo.

Palavras como “feis” (fez), “vamu” (vamos), “xeguei” (cheguei), “auguma” (alguma), “hainda” (ainda), “chingar” (xingar), “emcima” (em cima, confundido com embaixo), “vio” (viu), “chopin” (shopping), “derrepente” (de repente) e “muinto” (muito) são alguns dos exemplos citados por professores de língua portuguesa tanto da rede pública quanto particular.

“De uns cinco anos para cá, o nível das redações caiu muito”, constata a professora Ana dos Santos Pereira, que lecionou por 26 anos em escola pública e atualmente trabalha com alunos da rede particular e em cursos preparatórios para concursos. E as perspectivas dela não são nada animadoras. “Parece que a situação está ficando cada vez pior.”

Os motivos para esse déficit educacional são os mais variados possíveis. Os professores entrevistados apontaram a falta de vontade dos estudantes, a ausência da família, a influência da Internet como alguns dos vilões. Eles foram unânimes em um ponto: o brasileiro, em geral, e os alunos, em particular, lêem e escrevem muito pouco.

Segundo eles, fazer uma coisa e não fazer a outra também não resolve. “O ler e escrever precisam andar de mãos dadas. Ao escrever, nós assimilamos com mais facilidade as palavras”, ensina o professor Alexandre Benegas. Na opinião dele, da mesma forma que o esporte exige muito treinamento para ser corretamente praticado, a escrita também tem de ser bastante explorada para que se tire o máximo de proveito.

“A leitura e a produção de texto formam o eixo orientador da língua”, diz a professora Oeni Custódio Marins. Segundo ela, a partir do momento que uma palavra é assimilada, o aprendizado é para o resto da vida.

“Quem lê e escreve bastante também erra, mas erra menos”, afirma a professora e jornalista Érika de Moraes, que participou das correções das provas do vestibular da Universidade de Campinas (Unicamp) nos últimos seis anos e esteve presente também na correção das cinco últimas avaliações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

De acordo com Érika, também existem erros de português em textos bem estruturados. Equívocos como os que foram colocados no início da matéria, na opinião dela, são uma demonstração de que os alunos não estão acostumados a ler e escrever.

Uma das maneiras de evitar o erro é praticar o que é certo. “Tudo o que se aprende na escola tem de ser colocado na prática. Senão, você esquece”, recomenda a professora Ana. Segundo ela, nem sempre é preciso decorar regras para escrever corretamente. “Se a pessoa lê bastante e exercita a escrita, ela grava as palavras. Mas o povo, em geral, lê e escreve muito pouco.”

Ela conta que nos cursos preparatórios sempre tem entre seus alunos advogados, psicólogos, professores e todos têm problemas com a ortografia. Mas não só com isso. Concordância e regência também são outros dois obstáculos a serem vencidos por quase todos os alunos. “A dificuldade é geral”, diz Ana.

Para a professora Oeni, corrigir as falhas na estrutura do texto exige um pouco mais de paciência. O primeiro passo, segundo ela, é deixar a pessoa escrever à vontade. Depois vem a correção dos pontos falhos.

Para a professora e jornalista Érika, outras duas falhas bastante comuns nas redações envolvem a falta de coerência e de conteúdo. “Infelizmente, a maioria dos textos é mediano, o que mostra a precariedade do ensino nas escolas brasileiras.” Em seis anos, ela diz que não notou nenhuma melhora na qualidade dos textos.

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