“Antes de mais nada, é preciso que os alunos estejam dispostos a aprender.” Sem essa disposição, a professora Oeni Custódio Marins diz que é impossível um estudante assimilar o que está sendo ensinado na sala de aula.
“Além de fazer nosso trabalho de educadores, o aluno tem de querer aprender. Se não for assim, não funciona”, afirma. “Ninguém sabe tudo, mas é preciso disposição para pesquisar e procurar saber o que é certo.”
De acordo com a professora Ana dos Santos Pereira, muitas vezes, os alunos só descobrem que não aprenderam nada quando vão prestar vestibular.
Para a professora e jornalista Érika de Moraes, teoricamente, depois de pelo menos 11 anos na escola, o estudante quando chega a um vestibular não deveria cometer tantos erros. Mas não é isso o que acontece.
“O estudante não aprende porque está desmotivado”, diz o professor Alexandre Benegas. Segundo ele, uma das perguntas mais comuns entre os alunos é “estudar para quê?”
Ana comenta que normalmente os pais não dão retaguarda aos filhos. “Eles são muito ausentes e, com isso, os estudantes não têm estímulo para estudar.” Na opinião dela, falta ambição para os estudantes, especialmente da escola pública. Entretanto, o quadro não é muito diferente nas escolas particulares. “Os pais de alunos de escola particular são um pouco mais presentes. Mesmo assim, muitos delegam apenas para a escola a função de ensinar seus filhos.”
Independentemente do estudante estar em escola pública ou particular, se ele tiver força de vontade, com certeza, vai encarar um vestibular com boas possibilidades de sucesso. No mínimo, as chances de passar vergonha por uma palavra mal escrita serão bem remotas.
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Aulas nas empresas
Preocupada com os erros de português que possam ser cometidos por seus funcionários, algumas empresas têm investido em treinamentos lingüísticos.
De acordo com o professor de português Darvino Concer, esse tipo de iniciativa ainda é muito incipiente. Segundo ele, pouquíssimas empresas mantêm escolas preparatórias para seus funcionários, mas a questão já começa a preocupar os empresários.
O Grupo Nelson Paschoalotto, por exemplo, aumentou de oito para 120 horas a duração dos cursos de oralidade e performance lingüística oferecida a todos os gerentes, gestores, coordenadores e monitores da empresa.
O treinamento é feito uma vez por semana, durante o expediente. A parte lingüística tem por objetivo adequar a linguagem de acordo com o ambiente ou a pessoa com qual o funcionário está negociando. A oratória é para acabar com a inibição.
“É um curso que teve início, mas nunca terá fim. A reciclagem é constante”, diz o professor Darvino, responsável pelo treinamento. “Muitas empresas não vêem isso como um benefício imediato. Elas estão sempre atrás de respostas imediatas. E esse tipo de treinamento leva um certo tempo para dar resultados”, afirma.
A coordenadora Sirlene de Oliveira Pavani gostou da experiência. “Achei interessantíssimo. Aprendi uma série de coisas que eu não dava muita importância”, comenta. Segundo ela, as dicas que aprendeu durante o treinamento vão desde como encaminhar um e-mail até a maneira correta de falar em público.