Tribuna do Leitor

666 é mesmo o número da Besta!?


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Alguém já disse que os números não mentem! Será? Pode e deve ser, pois os números surgem, insurgem e propagam-se por toda parte! Quando nascemos, recebemos um nome, um sobrenome, o primeiro escolhido por motivos diversos por nossos pais, o principal para perpetuarmos a nossa espécie genealógica, passamos a fazer parte de uma família! Porém, com o tempo, metamorfoseamo-nos em números! O número de nosso registro! E as inúmeras indagações: quantos anos você tem? Qual o número do seu RG? Qual o número do seu telefone? Qual o seu CPF? Qual a placa do seu veículo? Qual a velocidade permitida desta estrada? Qual o valor da multa? Quantos pontos você tem na carteira? Quantos vocês são na sua casa? Qual o seu canal preferido? Qual o número do seu candidato? Quantos pontos seu time tem no campeonato? Qual é o número do seu apartamento? Qual é o seu salário? Quantos candidatos por vaga para o curso de medicina? Qual o número de mortos no acidente? Qual será a idade dela? Quantos Estados existem no Brasil? Qual o número do próximo Papa? A próxima guerra deve ser cardinal ou ordinal? Deve ser, como todas as outras, ordinária! Qual a diferença de idade daquele casal? Qual é o preço daquela tela plasma? Qual o número de impulsos gastos impulsivamente por você ao telefone?

Há ainda aqueles números memoráveis que estão acima do bem e do mal: a festa dos quinze anos, você já tem dezoito anos, é a crise dos sete anos, ele está fazendo um aninho, casados há vinte e cinco anos, cinqüenta, setenta e cinco anos, maior sete um, 1984 (um livro interessantíssimo!), sete é conta de mentiroso, sexta-feira treze, novela das oito, você é o número um, trem das onze, os Três Patetas, Quarteto Fantástico, enfim, números, números e mais números!

Há tempos, portanto, não damos mais nomes aos bois, damos números aos bois, talvez, por isso o suicídio de João Gostoso de Manuel Bandeira que morava no Morro da Babilônia num barracão sem número, ou seja, não existia, era o nada diante de tudo! Somos somente números, tornamo-nos dízimas periódicas, sendo criaturas dizimadas de período em período, numa busca ao infinito, às vezes, um zero à esquerda! Talvez, também, por isso, passamos pelo processo de alfabetização, para aprendermos números e sermos mais um entre inúmeros, para sabermos e dedilharmos o 0800, o 0300, os códigos nunca decodificados e caríssimos, para esperarmos horas e horas que nos atendam e não entendam e enumerem inúmeras ligações perigosas! Meu Deus, o homem é um ser racional, irracional, ordinal, cardinal, fracionário, multiplicativo, o homem é um problema a ser equacionado!

Curiosa e coincidentemente no último dia seis do mês seis de dois mil e seis foi lançado o filme “Profecia”, cujos números citados fazem uma alusão à Besta do Apocalipse, os famosos e incógnitos 666! Coincidência ou não passamos o ano de dois mil e seis até o início da Copa do Mundo de Futebol no último mês seis pensando no título mundial de número seis! Ficamos como bestas acreditando nos chamados bestiais craques de nossa seleção, que por sua vez, estavam preocupados em cumprir seus compromissos publicitários, pois se “A propaganda é a alma do negócio”, no caso dos convocados, a propaganda foi o negócio da alma! Desalmados, nossos jogadores deixaram-nos feito bestas à espera do hexa e somente para provar que os números não mentem, o nosso título de número 6 sumiu por uma falha, segundo muitos, do nosso camisa 6 que estava ajeitando a meia, que lembra o número muito usado em ligações telefônicas como número 6, ou se preferir, a falha de Roberto Carlos facilitou a vida de Henry, camisa doze, duas vezes 6! que ao som de “Besta é tu, besta é tu...” decretava o nosso apocalipse!

Sinuhe Daniel Preto - professor - RG 10.981.715-1

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