Brasília - O Itamaraty confirmou ontem a morte, no Líbano, de um brasileiro que lutava pelo Hizbollah. Segundo o embaixador Everton Vieira Vargas, chefe de gabinete do ministro das Relações Exteriores e um dos coordenadores do Grupo de Apoio aos Brasileiros no Líbano, Ibrahim Saleh, de 17 anos, foi morto em combate. “É muito trágico ter de reconhecer a morte de um brasileiro”, disse o embaixador.
Saleh tinha passaporte brasileiro e morava no Sul do Líbano. Segundo Vargas, a família do jovem ainda não procurou o Itamaraty nem a embaixada brasileira no Líbano. “Não recebemos nenhum contato da família. O embaixador em Beirute apenas procurou confirmar a informação (da morte do brasileiro). Trata-se de uma família que já vive há muitos anos no Líbano”, disse.
Pelas informações disponíveis até o momento, o embaixador avalia que Saleh deve ter ido para o Líbano quando ainda era criança e, desde então, nunca mais voltou ao País. Vargas não acredita que possa haver algum efeito político no fato de um brasileiro ter se engajado no Hizbollah.
“Qualquer engajamento é uma decisão individual, que diz respeito às convicções da pessoa”, disse o diplomata. Ele ressaltou que, pelo lado israelense, também há jovens brasileiros que moram em Israel e são recrutados como reservistas.
O Hizbollah, que recebe apoio sírio e iraniano, não é visto no Líbano como uma entidade terrorista, mas como um grupo de resistência contra a invasão israelense ao país, em 1982, que só terminou em 2000, 18 anos mais tarde.
O grupo foi o único a não se desarmar após a guerra civil do Líbano (1975-1991), e freqüentemente lança foguetes contra Israel. Desde o início da ofensiva israelense contra o Hizbollah, em 12 de julho, o conflito deixou quase 1.000 mortos. Só no território libanês, cerca de 900 pessoas morreram, sendo que mais de 800 eram civis. Em Israel, confrontos e foguetes do Hizbollah mataram mais de 70 pessoas, sendo mais de 30 civis.
O Itamaraty confirmou também que desembarcou ontem, em Guarulhos (SP), um vôo da Força Aérea Brasileira (FAB) vindo de Damasco, na Síria, com 90 brasileiros e familiares, retirados da zona de conflito. Nesse grupo, havia 14 bebês de colo, 22 crianças, uma mulher grávida, além de três idosos e sete pessoas doentes.
Ações
Ainda ontem, a ação de grupos de operações especiais da Marinha israelense à cidade de Tiro, no Sul do Líbano, e de bombardeios na Força Aérea israelense no sul de Beirute deixaram ao menos 13 mortos.
A ação em Tiro teve início antes do amanhecer. Os soldados chegaram de helicóptero à região norte da cidade e avançaram até uma edificação de dois andares, onde estariam abrigados supostos membros do Hizbollah.
O tiroteio que começou depois que os soldados israelenses se aproximaram do alvo durou cerca de três horas. Segundo a IDF (Forças de Defesa de Israel, na sigla em inglês), ao menos cinco libaneses - sendo quatro supostos membros do Hizbollah e um soldado libanês que estava em um posto de checagem próximo - morreram na operação.
O Hizbollah, por sua vez, declarou que um soldado israelense morreu na operação. A informação foi confirmada depois pelas forças militares israelenses, segundo a agência de notícias Efe. Outros oito soldados israelenses ficaram feridos.
Em Al Bass, na região sul de Tiro, um míssil disparado por um avião não tripulado israelense matou duas pessoas em uma motocicleta, segundo as forças militares libanesas. A IDF realizou ontem ataques a cerca de 70 alvos no Líbano.
Pouco antes do amanhecer, a Força Aérea de Israel realizou bombardeios no leste do país. Entre eles, um ocorreu sobre a estrada que liga as cidades de Hermel e a cidade de Homs, na Síria. A estrada foi fechada depois do bombardeio por causa dos extensos estragos causados, disseram pessoas que residem próximo ao local, segundo o “Haaretz”.
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Estratégia
Beirute - Apesar da resistência do Hizbollah, o Exército israelense conseguiu estabelecer posições dentro, ou perto, de 11 cidades e vilarejos no Sul do Líbano. Israel pretende criar uma “zona de segurança” ao Norte do País.
Os israelenses tentam expandir cada vez mais sua penetração em território libanês - avançando dos 6 quilômetros já invadidos para 15 quilômetros - a fim de evitar o lançamento de foguetes contra o norte de seu território.
As forças navais israelenses impuseram um bloqueio por mar ao Líbano, as principais estradas que levavam para fora do país e as pistas de pouso do aeroporto internacional de Beirute foram destruídas por bombardeios.
O prejuízo à infra-estrutura do Líbano até agora em decorrência da ofensiva israelense já chegou a US$ 2 bilhões, segundo o ministro de Transporte e Obras Públicas do Líbano, Mohammed al Safadi. “Nossa avaliação preliminar é de US$ 2 bilhões (...) (Foram atingidos) estradas, pontes, portos e aeroporto, até agora.”