La Paz - O presidente boliviano Evo Morales inicia hoje uma importante etapa de seu recém-iniciado governo. O líder de esquerda, o primeiro de origem indígena a se tornar presidente da Bolívia, em dezembro do ano passado, dará início hoje à convenção que reescreverá a Constituição boliviana.
O novo documento, que será elaborado ao longo de um ano por uma Assembléia Constituinte composta por 255 delegados eleitos nacionalmente no mês passado, é uma tentativa de promover um novo acordo com a maioria indígena do país. Divisões de classe, de etnia, geografia e cultura deverão nortear o debate.
A Constituinte será presidida por Silva Lazarte, uma quéchua de 47 anos, fundadora de uma influente organização de mulheres indígenas e que foi eleita pelos demais membros da assembléia e tem aval de Morales para liderar o processo.
A atual Constituição boliviana está em vigor desde 1967, quando foi adotada por Rene Barrientos Ortuno, que chegou ao poder por meio de uma cúpula militar antes de ser eleito presidente. A última modificação na Carta foi feita em 1994, sob o governo do presidente Gonzalo Sanches de Lozada, que modificou o processo eleitoral e ampliou o mandato presidencial de quatro para cinco anos.