Economia & Negócios

Estabilidade atrai mais que status

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Pesquisas recentes têm mostrado que o status e o reconhecimento de uma carreira estão perdendo importância entre aqueles que procuram trabalho. Cada vez mais, jovens universitários ou mesmo profissionais desempregados estão preocupados com a estabilidade no emprego.

No mês passado, a Cia. de Talentos, consultoria de São Paulo especializada em programas para jovens, divulgou os resultados de um levantamento feito entre 15 mil universitários em início de carreira. A pesquisa mostrou que a maior parte busca valorização profissional e estabilidade no mercado de trabalho.

Pelo segundo ano consecutivo, a Petrobrás foi escolhida como a empresa dos sonhos desses universitários. As características destacadas pelos jovens foram a boa imagem da empresa no mercado, bons salários e benefícios e desafios constantes. Entre as informações levantadas, foi possível identificar também quais os motivos que levam os universitários a escolherem uma profissão.

“Há pouco tempo, o jovem sonhava trabalhar em uma multinacional, em empresas pontocom ou ainda da área financeira, mas a escolha da Petrobrás pelo segundo ano consecutivo vem afirmar que os jovens estão valorizando outros pontos. Entre eles, mais segurança e estabilidade de emprego”, analisa Sofia Esteves, diretora da Cia. de Talentos.

A mesma análise é feita pelo consultor Guilherme Cabrera Maldonado, do Opportunity, empresa que presta assessoria na área de empregos. “O status já não é tão importante. Hoje, as pessoas querem segurança e estabilidade porque elas têm família, filhos.” Segundo ele, o status é mais importante para profissionais mais experientes, que já possuem uma estabilidade financeira.

O psicólogo Rodrigo Ballalai, que trabalha com grupos de orientação vocacional, também notou essa mudança na preferência dos jovens. “Hoje, eles buscam principalmente as profissões que dão estabilidade e segurança. Mas ainda tem aqueles que preferem empregos que dão visibilidade, como engenharia e medicina, por exemplo”, comenta ele.

Com um trabalho voltado mais para alunos do ensino médio, que estão prestes a entrar numa faculdade, Ballalai revela que a maioria dos alunos que participa dos grupos de orientação vocacional não tem a menor idéia da profissão que querem seguir, mas explicitam que tem de ser alguma que dê garantia de emprego.

“Muitos só enxergam o lado positivo da profissão. O nosso trabalho é orientar corretamente esses alunos. Toda profissão tem seu lado bom e ruim”. Segundo ele, o trabalho de orientação vocacional explora quatro temas principais.

Primeiro é preciso que os jovens descubram suas potencialidades, que conheçam a si próprios. Depois é importante saber a área de atuação que mais se identificam. Na seqüência, recebem informações sobre as profissões que fazem parte dessa área. Por fim, vem a escolha da profissão que melhor se encaixa no perfil do aluno e com a qual, possivelmente, ele terá de conviver parte de sua vida.

Segundo o psicólogo, esse trabalho de orientação tem como finalidade reduzir a margem de erro na hora do aluno escolher o rumo que vai dar aos seus estudos. Ballalai usa como parâmetro para justificar a importância desse tipo de trabalho a constatação que cerca de 40% dos universitários abandonam o curso que escolheram ou trocam por outro. “Isso é alarmante”, afirma.

Trabalhar o perfil de quem busca um emprego é tarefa também das empresas de recursos humanos. Segundo Bruno Peres, diretor de marketing do Opportunity, nem sempre existem vagas para o cargo que o candidato procura. “Nós damos uma segunda opção, com a qual a pessoa possa atingir o mesmo grau de satisfação da primeira e elas acabam se adaptando à mudança.”

De acordo com o consultor Maldonado, a cidade está carente de mão-de-obra qualificada. Seja para empregos que ofereçam estabilidade ou para aqueles em que os riscos de demissão são maiores. “Recebemos muitos currículos, mas com mão-de-obra especializada, são poucos”, comenta. “Quem tem qualificação dificilmente fica parado”, declara.

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