Acreditar nesta historinha, para quem conhece o calmo e tranqüilo Nersão da Sanfona torna-se difícil, entretanto foi verdade e aconteceu naqueles tempos em que ele tomava um litro da marvada Jequitibá e depois ia tocar sanfona nas barrancas do rio Batalha para esperar as horas passarem. Morreu a comadre Joaquina e localizaram o Nersão, lá no botequim do Irênio, para darem-lhe a triste notícia. De pronto, montou em seu cavalo e galopando seguiu para o velório, que naqueles tempos era realizado nas residências.
Chegando a Jequitibá tinha subido mais que dívida de aposentado com o tal do empréstimo consignado entrou pelos, fundos. Lavou a cara, fez um gargarejo longo para tirar o cheiro da marvada e adentrou emocionado ao velório da comadre.
Mal viu o caixão. Debruçou-se sobre ele e começou a chorar:
- Minha comadre!!! Você não podia ter ido embora!!!!, falava e as lágrimas lavavam o rosto crispado pela dor.
Nisto seu amigo, o Trigão, abraçou-o e sussurrou em seu ouvido:
- Ô meu!!! Disfarça e cai fora... O caixão da comadre está na sala... Você está chorando em cima da máquina de costura!!!!
Vejam bem o que a cachaça faz! No dia que confundir máquina de costura com urna funerária, deixo de ir ao Bar do Português.
Contada por Antonio Pedroso Júnior