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Autoridades batem boca

Folhapress
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São Paulo - A terceira onda de ataques do PCC desencadeou intenso bate-boca entre autoridades do governo de São Paulo e da União sobre a crise de segurança no Estado, iniciada em maio. Logo pela manhã de ontem, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou que, se o Estado tivesse aceitado o envio do Exército, a situação estaria controlada. “Acredito que, se a gente colocasse operações do Exército aqui, teriam um efeito dissuasório muito grande, como teriam tido em maio, como teriam tido em julho, como teriam tido agora”, disse Bastos.

Saulo de Castro Abreu Filho, secretário da Segurança Pública, que participava da cerimônia de entrega de veículos para a Polícia Militar, reagiu duramente. Disse que o ministro “faltou com a verdade” quando anunciou a liberação imediata de verbas para São Paulo (R$ 100 milhões) e fez um desafio: disse que deixa o cargo se o dinheiro for liberado neste ano. “Se o que ele disse acontecer, me calo e entrego o cargo. Agora, se não, ele entrega o cargo antes do dia 31, porque depois que acabar o governo não vale.”

À tarde, o ministro respondeu que o dinheiro está disponível, mas que não foi liberado porque o Estado não enviou os documentos necessários para isso. “A gente chega a pensar, pela veemência com que algumas autoridades estaduais colocam a questão, que eles não querem o dinheiro.”

Saulo, ao comentar a questão do Exército, disse que aceitaria as tropas para vigiar muros de penitenciária e para realizar operações contra o tráfico em favelas. Mas fez uma ressalva. Disse que seriam necessários pelo menos 4.500 homens. Para ele, sendo menos que isso não há utilidade. O governo, segundo Saulo, teria oferecido 2.800, “sendo 800 oficiais”. A polícia paulista conta com um efetivo de 140 mil homens.

Ao longo do dia, o governador Cláudio Lembo (PFL) tentou minimizar o impacto dos novos ataques, que, segundo ele, foram “situações muito simbólicas, mas sem efetividade”. Horas antes dos novos atentados, o governador havia dito que a situação nos presídios não estava tensa e que ele estava acompanhando diariamente.

O comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, declarou que a presença do Exército seria inócua. “Tropas desfilando na Paulista não resolvem o problema.”

Além de ironizar a ajuda federal, o secretário Abreu Filho afirmou que o ministro da Justiça explora eleitoralmente a crise de segurança no Estado. E levantou suspeitas de favorecimento a uma ONG que receberia repasses da União para realizar um mutirão para avaliar a situação processual de presos. O dinheiro, afirmou em discurso, “virá para uma ONG amiga (de pessoas ligadas ao governo federal), aquela que ataca o governo sem pensar duas vezes”. “Não haverá concorrência, vai ser direcionado para quem quiserem”, disse.

O secretário afirmou também que essa promessa “cria falsa expectativa, vende algo que não é real” aos presos, que acreditariam que poderiam obter a liberdade logo.

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