Tribuna do Leitor

As prioridades


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Mais de 30 casos de leishmaniose humana em Bauru, muito tempo para decidir alguma providência e a prefeitura resolve gastar mais de 40 mil reais em coleiras de cachorro, fazer um tal censo animal, como se a solução fosse essa. Eu espero que essa administração nunca mais se repita, pois nem sabe como gastar o dinheiro que tem. Vai só encher os bolsos dos fabricantes e deixar umas pessoas alegres porque seu cachorro ganhou uma coleira e agora fica mais fácil encontrá-lo, caso se perca.

As pessoas, desde o poder público e seus amigos, até o povo, costumam olhar para o próprio umbigo, primeiramente e se esquecem de que decisões como essa e como as outras que nossa saúde pública toma e que não resolvem, querem ver tudo bonito, ruas iluminadas e asfaltadas, limpeza, tudo funcionando direito, mas assinam em baixo dessas barbaridades. Isso é devido à falta de amor, e de visão.

Eu quero saber quem tem coragem de ir pesquisar sobre a situação das pessoas doentes, de sua família e seu bairro. Quando se fala em leishmaniose, aparecem as opiniões de todo mundo que não viu essa tortura de perto e não se lembra que pode acontecer com ele ou um dos seus, ainda, já que só agora admitiram que é epidemia.

E não é porque, segundo informações oficiais, têm casos, mas não mortes, que a coisa não é muito grave. Aí muitos continuam com atitudes equivocadas, escondendo o animal suspeito, ou jogando-o na rua da periferia, ou depositando lixo nos terrenos, levando seus bichos às compras na feira, calçadão, ou nas calçadas, largando ali o produto da alimentação gasta para eles, sem se incomodar: se alguém por ali poderá ser prejudicado.

Pergunte-se à maioria da população se tem acontecido vistorias em toda a cidade e testes nos animais, ou se as famílias de quem esteve doente ou morreu, se não têm vontade de sumir dessa cidade e se continuam com a mesma estrutura e talvez alegria de viver! Eu já andei perguntando. Prioridade é o que precisa vir em primeiro lugar: limpeza, informação e testes, além de cobranças. Precisa recolher os animais das ruas, buscar os dos que não têm como levá-los ao veterinário ou ao Centro de Zoonoses. Isso seria gastar o dinheiro devidamente, em vez de agradar primeiro os amigos empresários do ramo e os que se preocupam mais com os cachorros do que com as pessoas, que não são seus parentes ou amigos.

Ah, mas a gente alerta e não adianta, pois o que fica valendo é a opinião dos que podem ir à mídia dar desculpas e justificativas enroladas, floreadas e assinadas, registradas, gravadas e reproduzidas, recebidos como reis não sei de quê, enquanto nós, os zés-ninguém ficamos assistindo revoltados e com um esparadrapo na boca, ou chamados de mentirosos. Fica aqui o protesto de uma vítima zé-ninguém, como a maioria. Obrigada.

Ana Maria Lellis Krupelis - RG 5.706.855

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