Internacional

Israel impõe toque de recolher aos libaneses

Por Michel Gawendo | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Tel Aviv - O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, autorizou ontem o Exército a atuar “sem limitações” no Líbano para diminuir o disparo de foguetes do grupo terrorista Hizbollah contra o país, e os militares israelenses impuseram toque de recolher à população libanesa em uma faixa de até 20 km no Líbano.

“Temos que parar os foguetes. Não podemos ter 1 milhão de moradores vivendo em abrigos. Neste caso, não haverá limitações ao Exército. A guerra envolve fatalidades, o que dói e é traumático. Mas no momento temos que lidar com isso”, disse Olmert, em visita ao norte de Israel com o ministro da Defesa, Amir Peretz.

Horas antes, Peretz disse à Comissão de Defesa do parlamento que ordenou ao Exército intensificar a ofensiva e “assumir o controle” de lançamento de foguetes pelo Hizbollah, em qualquer lugar do Líbano, até que a diplomacia ofereça uma solução. “Se o processo político puder parar os disparos, Israel pode dizer que sua operação mudou a equação da situação no norte”, disse.

O Exército de Israel já tem planos prontos para invadir uma área até o rio Litani, que em alguns trechos chega a 20 km da fronteira. Isso, porém, ainda não teve aprovação formal do governo, apesar das declarações de Olmert e Peretz.

A ordem para atuar “sem limites” foi decidida depois dos ataques do Hizbollah que mataram 12 soldados da reserva e três civis, no domingo. Desde o início do conflito, 61 soldados e 36 civis israelenses foram mortos em ataques do grupo.

Ontem, o Hizbollah disparou cerca de 160 foguetes e mísseis contra o Norte de Israel, sem deixar feridos graves. Como parte da estratégia para tentar reduzir esses disparos, o Exército decretou toque de recolher para os moradores das aldeias libanesas entre o rio Litani e a fronteira de Israel. Segundo os militares, o objetivo é facilitar a identificação de lançadores de foguetes. Qualquer veículo poderá ser atingido depois das 22h locais.

O Exército divulgou ontem imagens de um combatente do Hizbollah capturado afirmando que participou, em 12 de julho, do seqüestro de dois soldados israelenses, ação que desencadeou o conflito.

Identificado como Mahmoud Ali Suleiman, ele disse que recebeu treinamento militar no Irã, envolvendo armas antitanque, e que chegou àquele país via Síria - países que Israel acusa de envolvimento no confronto. Israel diz ter capturado guerrilheiros e corpos de combatentes para uso em uma possível troca de prisioneiros.

A Força Aérea israelense informou que destruiu uma aeronave não-tripulada do Hizbollah que voava em baixa altitude. O aparelho seria de fabricação iraniana, com autonomia de 150 km e capacidade para até 40 kg de explosivos. A aeronave não tinha carga e o aparelho pode ter sido usado para realizar espionagem.

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