Política

Auditoria revela ‘ação entre amigos’ com uso de dinheiro no grêmio da Câmara Municipal

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

“Ação entre amigos”, assim pode ser descrito o que foi feito no grêmio dos funcionários da Câmara Municipal de Bauru, no período de 2001 a 2005, que gerou prejuízos acumulados superiores a R$ 28 mil somente na contabilização parcial dos valores. Entre outros gastos com dinheiro dos associados, servidores que contribuíam com a formação do fundo, constam despesas com cabeleireiros, compra de peças como bateria automotiva e abastecimento de veículos, além de empréstimos pessoais, que não chegaram a ser pagos aos cofres do grêmio.

A “ação” foi revelada pela auditoria, aberta em novembro do ano passado, depois que a atual diretoria não conseguiu a documentação referente às contas da associação durante a gestão anterior. Na ocasião, a presidente do grêmio, Lenir Corrêa Machado, afirmou que iria abrir a auditoria porque o ex-presidente Arnaldo Geraldo não havia entregue os documentos informando a movimentação financeira da entidade.

A auditoria revelou ainda que, no período de abril de 2001 a março de 2005, houve vasta movimentação financeira, sem que isso traduzisse em saldo na conta do grêmio. Pelo contrário, de acordo com o relatório do auditor Norberto Souza Santos, em 31 de março do ano passado, o saldo deveria ser de R$ 26,5 mil mas não passava de R$ 49,51.

Existiam informações de que a diretoria anterior do grêmio teria efetuado empréstimos pessoais a terceiros, o que ficou comprovado na apuração. No relatório do auditor, consta que o grêmio emprestou mais de R$ 21 mil a associados entre maio de 2003 e dezembro de 2004.

As contas

Além dos empréstimos, o auditor aponta várias movimentações financeiras não justificadas, como cheques compensados em bancos sem a comprovação do motivo da emissão. Segundo Souza Santos, entre as atividades desenvolvidas durante o período em que Arnaldo Geraldo era presidente do grêmio, a movimentação financeira girou em torno de gestão própria - que deve ser custeada com contribuições dos associados -, e gestão de terceiros (convênios), ou seja, gastos dos associados que deveriam ser pagos por cada um, individualmente.

O auditor encontrou também recibos de gastos com salão de cabeleireiros, abastecimento de veículos, serviços médicos, entre outros, todos efetuados por associados do grêmio sem que o reembolso tivesse ocorrido.

“Elaboramos planilhas de evolução de saldos bancários, apurando os saldos teóricos, ou seja, o saldo que deveria existir se houvesse o recebimento integral dos valores pagos, relativos aos convênios mantidos, descontando-se das contribuições dos associados os valores gastos com despesas bancárias, despesas legais e judiciais, festas de confraternização e acrescentando a participação do grêmio em outros convênios”, cita Souza Santos no relatório.

A conclusão de Norberto Souza Santos é que a diretoria anterior deverá pagar o saldo devido aos cofres do grêmio. A atual presidente, Lenir Corrêa Machado, deve convocar assembléia para apresentar o resultado da auditoria aos associados do grêmio e, a partir daí, decidir como proceder com relação à dívida da diretoria anterior com a organização.

O relatório não individualiza os empréstimos dos associados com o apontamento dos nomes. As informações são de que integrantes da legislatura anterior se valeram da entidade para retiradas, transformando o grêmio em um balcão de “ajuda financeira informal” para alguns casos. Não se tem conhecimento do reembolso dos valores. “Houve movimentação financeira extra-bancária, ou seja, recebimentos de valores que não foram depositados em contas bancárias e pagamentos sem emissão de cheques”, revela também a auditoria.

O ex-presidente Arnaldo Geraldo havia prometido prestar contas das despesas, o que não aconteceu com vários documentos fiscais e, além disso, a movimentação financeira em bancos como o Sudameris e BMC, conforme a auditoria. Geraldo não foi localizado ontem para falar sobre o assunto.

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