Berlim - Pesquisa historiográfica patrocinada pelo governo alemão diz que 125 pessoas foram mortas pela polícia da ex-Alemanha Oriental ao tentarem saltar o Muro de Berlim para o Ocidente. A cifra é bem menor que a de 268 vítimas até agora estimadas.
Mas de 80 mil a 100 mil pessoas foram detidas pela polícia da Alemanha Oriental, comunista, por tentarem emigrar ilegalmente, disse hoje Hans-Hermann Hertle, de um centro de pesquisas de Postdam, encarregado do levantamento. O muro foi construído em 1961 e, derrubado em 1989, com o colapso do regime oriental e o início da reunificação alemã. As autoridades comunistas procuraram, com o muro, conter a evasão de mão-de-obra qualificada. Entre 1949 e 1962, cerca de 2,5 milhões de alemães orientais conseguiram se refugiar na Alemanha Ocidental.
Com o muro, esse número ficou em torno de 5.000, entre 1962 e 1989. Também chamado de “muro da vergonha” e impregnado de uma forte simbologia política - ele impedia a passagem de alemães orientais desejosos de viver num regime democrático-, o muro tinha 45 km e hoje apenas um pequeno trecho dele foi conservado como testemunho de sua época.
A instituição de Postdam encarregada do estudo ainda analisa 81 outros casos. Além dos que foram abatidos na tentativa de fuga, o estudo também considerou como vítimas 32 pessoas que não tinham o propósito de emigrar para o Ocidente. As dificuldades de transpor o muro eram tantas que dois jovens, para criarem coragem, tentaram saltar o muro alcoolizados. Ambos foram mortos.