Rio - Pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem apresentou queda mais intensa do candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, do que a registrada pelo Datafolha. O instituto mostrou recuo de 7,5 pontos percentuais do tucano, o que asseguraria uma vitória com folga do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno se a eleição fosse hoje.
De acordo com a pesquisa, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes, Lula lidera a corrida eleitoral com 47,9%, tendo crescido quase quatro pontos percentuais em relação à sondagem anterior (44,1%), feita em julho. Alckmin caiu de 27,2% para 19,7%. A senadora Heloísa Helena (AL), candidata pelo PSOL, saltou de 5,4% para 9,3% A diferença de 28,2 pontos percentuais de Lula em relação ao tucano é a maior registrada pelo Sensus desde que Alckmin foi confirmado como candidato do PSDB, em fevereiro. Na sondagem de julho, a distância entre eles era de 16,9 pontos.
A pesquisa incluiu o nome da candidata Ana Maria Rangel, expulsa do PRP, com 1,1% das intenções de voto. O argumento do instituto é que o nome dela ainda consta da lista do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O Sensus também simulou um eventual segundo turno, que confirmou a queda do tucano: 52,5% contra 29,8%. Em julho, o cenário registrava 48,6% das intenções de voto para Lula, contra 35,8% de Alckmin.
Após saber do resultado do levantamento, Alckmin, no Rio de Janeiro, demonstrou irritação e descrença, afirmando que se trata de “uma boa piada”.
Em seguida, ele aumentou o tom das acusações a Lula. “A pergunta é: quem pode fazer mais pelo Brasil? O time que está aí? Hoje os jornais mostram mais uma corrupção. Sanguessuga não é só no Ministério da Saúde, é também na Ciência e Tecnologia. Cada gaveta que abre tem um desvio diferente. Agora é corrupção digital”, disse, referindo-se à suposta fraude na destinação de emendas para comprar ônibus em projeto de inclusão digital.
O resultado também foi recebido com desconfiança pelo comando da campanha de Alckmin. Antes de saber dos resultados do Datafolha, o sociólogo Antonio Lavareda e o responsável pela comunicação da campanha, Luiz Gonzalez, avaliaram que a pesquisa do Sensus estava “descalibrada”.
Num evento à tarde no Planalto, questionado sobre a CNT/Sensus, Lula limitou-se a dizer: “Não leio pesquisa. Não comento pesquisa”.
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que a queda de Alckmin é fruto de erros da oposição. “Isso demonstra que a tática de ódio e de desqualificação que uma parte da oposição vem usando não está dando certo, que a população quer debates de profundidade”, disse.
Explicação
Segundo o diretor do Sensus, Ricardo Guedes, a queda do tucano se explicaria por três fatores: reflexo da onda de violência em São Paulo, má exposição do candidato na TV e falta de confiança do eleitor de que ele vencerá a eleição. O Sensus ouviu 2 mil pessoas em 24 Estados entre 1 e 4 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no TSE com o número 12.310/2006.
Datafolha
Pesquisa Datafolha divulgada ontem pelo “Jornal Nacional” e que será publicada na edição da “Folha de S.Paulo” de hoje revela o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com folga a disputa pelo eleitor, com 47% das intenções de voto. Em julho, o petista aparecia com 44% das intenções de voto.
Na pesquisa, o tucano Geraldo Alckmin aparece em seguida, com 24% das intenções de voto do eleitorado -ele tinha 28% em julho. A diferença entre Lula e Alckmin -que era de 16 pontos em julho- subiu para 23 pontos no levantamento de agosto.
A candidata do PSOL à Presidência, senadora Heloísa Helena (AL), que havia despontado na pesquisa de julho com 10%, oscilou para 12% das intenções de voto em agosto.
A pesquisa mostra que de julho para agora a taxa de intenção de voto de Lula subiu três pontos. No mesmo período, a taxa de intenção de voto de Alckmin caiu quatro pontos. A pesquisa Datafolha foi realizada nos dias 7 e 8 deste mês e ouviu 6.969 eleitores em 306 municípios de 25 unidades da federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TSE com o número 12.633/2006.